Bauru

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Novos eleitores não encasquetados

por PEDRO GRAVA ZANOTELLI

21/05/2022 - 05h00

O Tribunal Superior Eleitoral festejou o ingresso de mais de dois milhões de jovens de 16 a 18 anos no colégio eleitoral. Tiraram o Título de Eleitor e estão aptos para votar em outubro. É um pequeno peso para fazer diferença num colégio superior a 140 milhões de eleitores, mas cria uma esperança de ser a semente de árvores maiores, de copas mais arejadas, mais sensíveis ao vento do progresso e do desenvolvimento socioeconômico. Em outros termos de, embora tímido, ser o início de atração de mentes abertas, cultas, criativas e bem intencionadas para formar as futuras lideranças políticas, necessárias para governar esta grande e promissora nação, hoje infeliz.

O ambiente político eleitoral está ficando confuso e preocupante, principalmente pela maior presença de militares no governo e a insistência do presidente em tentar incutir na cabeça dos eleitores a possibilidade de fraude na próxima eleição. A sua posição não é de ideia fixa nessa possibilidade, mas uma estratégia copiada de Donald Trump, para a possibilidade de perder a eleição. Na mente dos eleitores, entretanto, fixa-se a ideia de que haverá fraude se o TSE não aceitar as alterações que ele quer impor.

As pesquisas eleitorais mostram a polarização entre dois candidatos, um pela reeleição e outro pela volta ao poder. Entre eles um grupo de aspirantes a presidente com minguada possibilidade de competição. Refletindo sobre essa situação, que apesar ou por causa do número excessivo de partidos, deixa o país na condição de ter que aceitar um governo que, somadas as rejeições, não é o que a população deseja.

Refletir aciona a memória e a referência a militares nos leva ao tempo do Tiro de Guerra, em que em vez de boné ou boina para cobrir a cabeça, usávamos o casquete, com desenho meio parecido com o de um barco. Revendo a palavra nos dicionários encontramos um significado conotativo do verbo encasquetar: "encasquetar uma ideia", que é ter ideia fixa. No Michaelis: 'Quando encasqueta uma ideia é difícil convencê-lo do contrário'. No Weiss, Mário de Andrade em Macunaíma: "Mas eu tenho opinião de sapo e quando encasqueto uma coisa aguento firme no toco". O indivíduo de ideia fixa fecha os olhos e ouvidos para não ver e nem ouvir o que acontece ao seu derredor e no mundo, que contrarie a sua ideia. Fica refratário ao progresso.

Sem pretensão de ser analista político, apenas como exercício mental concluímos que os eleitores estão em quatro grupos: 1) Encasquetados com a ideia de que Bolsonaro é a melhor opção, por gostar do seu estilo e para ser contra o PT; 2) Encasquetados que a melhor opção é o Lula, por saudosismo ou por achar que o governo de Bolsonaro tem se saído mal nos principais problemas do país: pandemia, desmatamento, economia e entrega do orçamento ao centrão; 3) Encasquetados com a ideia de que, com muitos candidatos, podem ter chance de ir para o segundo turno ou ter alguma outra vantagem e 4) Os que não sabem o que fazer nesse ambiente de incertezas.

Por último, a terceira via, reunindo encasquetados com a ideia de ter oportunidade acabou deixando o Brasil sem escolha para sair dessa triste situação de ter que aceitar um dos dois candidatos que, à luz dos bons princípios, nunca deveriam chegar à presidência.

O autor é ex-presidente da Ordem dos Velhos Jornalistas de Bauru.

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