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Existe uma luz, mesmo quando ela se apaga

por Claudia Zogheib

29/05/2022 - 05h00

No filme italiano "Chiara Lubich - o Amor vence Tudo", nos transportamos para a vida de algumas mulheres que sentiram um chamado a viver a guerra e sua precariedade, de forma a construir uma vivência possível. Pessoas cheias de ideais tiveram seus sonhos interrompidos, e num instante de suas vidas, tudo se transformou. Na cena delas rezando com a vela no subterrâneo, enquanto as bombas destruíam seus sonhos, seus parentes, suas casas, sua cidade, é possível observar o que se pode fazer com a própria vida diante da possibilidade de uma morte eminente, num sim, num apelo de vida a que elas foram chamadas.

Através de um chamado urgente, o sim destas mulheres percorreu o mundo, falou muitos idiomas, visitou muitas culturas, países, religiões, lares, e as transportou a muitos paraísos: de 43 até hoje! Mas o que de fato estas mulheres pretendiam? Enquanto o filme percorre a sua história é possível reconhecer que num primeiro instante nem elas sabiam a grandeza do que estava acontecendo, elas apenas disseram sim!

Em muitos momentos do filme, enquanto vivenciamos uma experiência de total comunhão, nos deparamos com um mundo possível, e pensamos que esta vivência seja possível hoje se conseguirmos dizer o nosso sim diante deste mundo conturbado em que vivemos, diante das incompatibilidades, das diferenças, dos que sofrem, do que está destruído, oferecendo algo que resgate a nossa própria dignidade.

Elas disseram sim, entregaram suas vidas àquilo que não morre, e por conta disto, vivenciaram um Amor perpetuado numa experiência que correu o mundo, num Sim único a um Ideal que ainda vive. E diante desta experiência, elas nos convidam a dar o nosso sim hoje: no próximo, no pobre, no favelado, no excluído, no drogado, na política sem escrúpulos, no que tem fome, no que tem sede, no desempregado, na destruição, na guerra. E se trabalharmos pelo nosso sim: no recuperado, no digno, no incluído, no respeitado, na partilha justa, pelo ser humano, para um mundo mais unido e de igualdades.

Não se trata de um filme qualquer, trata de assisti-lo em outro nível, e de se transportar para um lugar que nos permita compreender do que se trata, de abrir-se para uma aventura desconhecida, de sustentar esta descoberta, e de tentar em algum instante resgatar a nossa própria origem de filhos de Deus diante da vida: o Deus que cada um acredita!

A luz se apagou, não ... ela se acendeu!

Em tempo: este texto foi escrito ao som da música "Una grande Luce", de Daniele Ricci, cantada por Gen Rosso e Gen Verde.

 A autora é psicanalista pela USP/SP, psicóloga clínica, formada pela USC.

 

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