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"Eles" são iguais

por José Marta Filho

21/06/2022 - 05h00

É comum ouvirmos pessoas afirmarem: como "Eles" são talentosos ou como "Eles", apesar de suas deficiências, são amorosos. No primeiro grupo, "Eles" possuem elevado grau de criatividade, facilidade e rapidez para aprender, são pessoas superdotadas e portadoras de altas habilidades. Mas são inquietas, hiperativas e, às vezes, incapazes de realizar pequenas tarefas. De fato, crianças acima da média, se diferenciam desde cedo - muitas com idade pré-escolar - e essas características as acompanham a vida toda. Geralmente não gostam de tarefas simples sem desafios e, por isso, são, quase sempre, "indisciplinadas" na Escola e requerem recursos pedagógicos e metodologias educacionais específicas; muitas apresentam dificuldades de convivência. No teste de QI o grau das habilidades de uma pessoa, na média, é 100 pontos, aproximadamente. As que alcançam um escore acima desse grau podem ser consideradas superdotadas. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 8% da população mundial têm altas habilidades. Destes, cerca de 10 milhões estão no Brasil e, apesar de ter traços genéticos nesse talento, precisam desenvolver-se em um ambiente que possibilite condições para exercer essas capacidades de forma adequada pois, o fato de serem pessoas superdotadas não significa que são peritas em todas as áreas; umas podem apresentar uma eficiência muito grande na área de exatas, mas não ter a mesma habilidade com a literatura.

No segundo grupo, "Eles" são pessoas com deficiência - PCD - (mental, auditiva, visual, física e múltipla). Poucos acreditam nas suas transformações pela educação e, muitas vezes, os segregam em guetos separados dos "normais" quando o que precisam é de cuidados educacionais específicos, muito carinho e convivência coletiva. Segundo o que descreve a "Política Nacional de Educação", o alunado de educação especial apresenta necessidades próprias e diferentes dos demais no domínio das aprendizagens curriculares, mas seus amigos são seus irmãos de aprendizagem.

Com os portadores da Síndrome de Down - SD -, o preconceito e a falta de informação ainda são comuns. O erro mais frequente, de acordo com o geneticista Juan Llerena Junior, chefe da Divisão de Genética Médica do Instituto Fernandes Figueira (IFF), unidade da Fiocruz, é achar que SD é doença. Diz que "o fato de uma pessoa nascer com mais um cromossomo no 21, não a torna doente." Necessitam, sim, de educação em ambientes comuns ao de outras pessoas. Os professores e colegas influenciam diretamente nas suas formações.

A Escola é o ambiente ideal para o professor ajudar alunos - superdotados ou deficientes - a se desenvolverem, a conhecerem seus talentos e competências e para propiciar-lhes crescimento como pessoa. Em muitas coisas "Eles" são iguais: no carinho, no amor e na portabilidade de almas felizes. "Eles" não são "ETs". São pessoas, apenas diferentes da gente.

O autor é diretor executivo do “Instituto Marta Filho Engenharia e Avaliações – IMFea”, docente (aposentado) Unesp, gestor universitário e avaliador de cursos do INEP/MEC.

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