Bauru

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Nem sempre o ataque é a melhor defesa

por Reinaldo Cafeo

23/06/2022 - 05h00

No futebol existe uma frase repetida por muitos de que "o ataque é a melhor defesa". O sentido desta expressão é que time que fica se defendendo atrai o adversário para o ataque e, fatalmente, tomará um gol, portanto, atacar, deixa bola distante da defesa, com menor chance de gol. Claro que nem sempre isso funciona, mas a lógica no futebol é esta.

Busquei esta frase para avaliar a reação da prefeita de Bauru, Suéllen Rosim, em relação à instalação da Comissão Processante no Legislativo Municipal, que poderá ter dois caminhos: arquivamento das denúncias que constam no relatório da Comissão Especial de Inquérito ou andamento, podendo até chegar a propor a cassação do mandato da Chefe do Executivo Municipal.

Sua reação, em pronunciamentos aos órgãos de imprensa, foram na linha de atacar a decisão. Coloca que é perseguição política, que tudo isso é holofote para quem quer se promover em ano eleitoral, disse ainda que tudo foi explicado durantes as oitivas, e que não observa nenhuma irregularidade nas desapropriações de imóveis que totalizaram quase de R$ 35 milhões.

O recorte do ataque aos vereadores vem na forma de rebater a decisão. É legítimo que a prefeita se defenda, que continue afirmando que tudo foi feito dentro da lei, contudo, ao tentar desqualificar os mensageiros, no caso, os vereadores que votaram pela abertura da Processante, portanto, maioria da edilidade municipal, ela entra em um campo que pode lhe custar caro. Quem é que votará para o sequenciamento da Processante? Os vereadores. Quem é que a prefeita está atacando? Os vereadores. Se ela não for direta, apontando quem a persegue e quais os reais motivos para tanto, na generalização, terá mais membros do legislativo jogando contra seu mandato.

É evidente que o raciocínio aqui colocado é no sentido de entender a forma de reagir da prefeita, sem emitir juízo de valor sobre as questões colocadas no relatório. Neste particular, esperam-se as justificativas legais e, ao mesmo tempo, transparência nos atos da Secretaria de Educação do município, para que nós, os pagadores de impostos, saibamos que houve adequado uso do dinheiro público.

Sempre que ocorrem problemas como este podemos agir de três maneiras: concordar, discordar e ser indiferente. Mas quando o "fígado" fala mais alto do que o "cérebro" o risco de não ter apoio é maior. Como estou no campo das frases feitas, se neste caso particular o ataque não é a melhor defesa, o aprendizado vem no "amor ou na dor", a escolha é de cada de um nós, e neste caso, quem deve escolher é a prefeita de Bauru, Suéllen Rosim.

Por fim, se tudo foi feito dentro da maior legalidade, que tal "transformar um limão em uma limonada?", afinal, quem "não deve não teme", ou seja, esclareça tudo, sem ataques pessoais, e, ao meu juízo, saia fortalecida para exercer na plenitude os dois anos e meio de mandato que lhe resta.

Cada um faz sua escolha e assume suas consequências.

O autor é economista, presidente da Acib. Âncora/comentarista do Cidade 360º.

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