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Articulistas

Fontes seguras de informação

por Adilson Roberto Gonçalves

13/09/2020 - 05h51

Já não vale mais o escrito, passível de tantas alterações, falsificações, manipulações e outros cognatos para perder a credibilidade. As comunicações científicas passam por rigoroso crivo de análise pelos pares, avaliação editorial antes de seu conteúdo tornar-se público. Mesmo assim, falhas acontecem e devido ao monitoramento constante dos resultados, muitos desses estudos são retratados, ou seja, como se fossem ‘despublicados’. Infelizmente, talcritério não acontece com as informações jornalísticas ou supostamente de cunho informativo, como quase tudo que circula pela internet e redes chamadas sociais. Veículos antes tidoscomo sérios passam a ser apenas divulgadores chapa-branca do governo e quando qualquer de seus jornalistas faz uma análise mais crítica ou contrária ao ocupante do Palácio do Planalto, é prontamente demitido, colocado na geladeira ou pressionado a desdizer o que disse.

No advento da informação sumarizada de livre criação e alimentação, a falta de autoria é um fator crítico. Um livro, por mais errôneo que possa ser, tem explícito o nome do autor, editor, quando e como foi elaborado. A Wikipedia, por exemplo, carece de tais informações e ficamos à mercê de quem a comanda. Sim, não é uma plataforma livre em que todos podem colaborar.

Façam o teste. Tentem introduzir alguma informação mais detalhada ou controversa em algum tópico que imediatamente os monitores (pessoas físicas ou robôs) irão removê-la. Assim, ainda que seja importante o trabalho para evitar pseudo-ciências e fake news, a Wikipedia padece de alguns males insolúveis: a) as fontes de referência são, na maioria, outros sites da internet que não raro estão desatualizados ou direcionam para páginas que não mais existem;b) há um pequeno grupo de “donos” do pedaço que não permite contribuições sérias de quem é de fora; c) sugestões de inclusões e correções, mesmo com referências a livros e documentos escritos, são desprezadas por não darem acesso a links. Articulistas se propõem a uma abordagem séria sobre a questão da qualidade de informação, mas muitos publicam textos confusos.

Logo no início da pandemia, por exemplo, alguns se esmeraram em elogiar supostos céticos das ciências, que duvidavam dos mencionados papers científicos, mas, depois, refutavam os argumentos com as evidências da letalidade da Covid-19, que logo ficou explícita. Ciência é feita no tempo e acelerá-la pode custar não apenas informação, mas vidas. Infelizmente, numa guerra, a primeira vítima continua sendo a verdade.

O autor é pesquisador na Unesp [email protected]

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