Bauru e grande região

 
Alberto Consolaro

A paralisia facial tem aumentado?

29/08/2020 - 07h00

Reprodução

Comparação entre a face normal e a com paralisia facial

A paralisia facial ocorre pela parada temporária ou permanente do nervo que sai do cérebro com uma raiz motora para controlar os movimentos dos músculos da expressão facial e outra, sensitiva para controlar o gosto nos terços anteriores da língua. Na face e língua o nervo facial se distribui em vários ramos menores. Quando houver seccionamento, haverá a paralisia facial que pode ser temporária após reconectar com microcirurgias. Amassamentos, pinçamentos ou compressões também levam à paralisia facial temporária. Junto com a paralisia facial pode acontecer a anosmia e disgeusia.

Os vírus têm afinidade molecular com certas células o que se chama de tropismo. O papiloma vírus gosta das células epiteliais da pele e mucosas, o do herpes simples e da varicela/zoster afinam-se com os nervos ou neurônios. Alguns vírus gostam de pulmão, outros atacam o fígado com hepatites. Tem os que gostam de linfócitos, outros de glândulas como o da caxumba que adora as parótidas.

Dizem que os nervos parecem fios elétricos, o que não é verdade, são os fios elétricos que se parecem com nervos, por onde passam energia e estímulos para o corpo funcionar a mando do cérebro e medula espinal que formam o sistema nervoso central. Se os fios, ou melhor, se os nervos estão lesados, desencapados, amassados ou destruídos não haverá transmissão de estímulos, gerando paralisias e anestesias. Anestésico impede a passagem da dor pelo nervo e a toxina botulínica lesa a sua estrutura, deixando a área sem movimentos e rugas, mas apenas por alguns meses! Na poliomielite com neurônios contaminados, não ocorre o desenvolvimento dos membros com a paralisia infantil.

A paralisia facial pode ser induzida por vírus que entram no nervo, ocupam espaço e usam as organelas, atrapalhando a comunicação cérebro e músculos da face. Ou não deixa o paciente sentir o gosto, embora o paciente nem perceba, pois, o outro lado da língua está normal. Esses vírus seriam do herpes simples e os da varicela/zoster. A terapia com antivirais e outras drogas, quando o paciente procura quase que imediatamente o neurologista, pode abreviar e eliminar o problema em 8 semanas.

Na paralisia facial, um dos lados fica com o canto da boca e dos olhos caídos. O paciente não consegue fechar o olho e precisa usar tampão ao dormir para proteger os olhos da secura. Se tentar fechar os olhos, as pupilas viram para cima e isto se chama sinal de Bell e é “patognomônico”. Vírus adoram viajar e sair pelos tecidos quando a pessoa está estressada, pois as defesas estarão diminuídas. Por isto que se diz que a paralisia, assim como herpes e o zoster, têm a ver com o estresse que promove uma “agitação” viral na sua estrutura, leia-se uma multiplicação aumentada, o que interfere na comunicação neural e muscular facial.

Nos últimos meses, se diz que aumentaram os casos de paralisia facial e se atribui isto ao coronavírus, embora ainda não se saiba se ele é neurotrópico mesmo! Pode até ser, mas as pessoas também andam muito estressadas e isto tem “movimentado” os herpesvírus nas estruturas do nervo facial.

A paralisia facial é frequente e algumas pessoas afirmam que surgiu depois de uma exposição repentina ao frio ou logo depois de um tratamento dentário ou estético, pois tem traumatismo e produtos químicos que podem induzir lesões neurais! Em tempo: mais de 80% das paralisias faciais são temporárias e o segredo para isto é procurar o neurologista logo no início e seguir a terapêutica receitada!

(Alberto Consolaro – Professor Titular da USP e Colunista do Caderno Ciências do JC)

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