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Coluna Animal

Senciência: os animais sentem como os humanos?

20/06/2020 - 07h00

A Comissão de Defesa e Proteção Animal da OAB Bauru e o Conselho Municipal de Proteção e Defesa dos Animais chamam a atenção para um assunto muito importante neste texto: reflexões sobre a senciência animal.

A senciência é, basicamente, a capacidade de sentir, de ter sensações como a dor, agonia ou emoções, que são experiências que o animal consegue ter de forma consciente e subjetiva, escolhendo o prazer à dor, e que por isso nos mostra que eles têm interesse em não sentir dor.

A descoberta científica da senciência nos animais ocorreu por uma pesquisa de um grupo de neurociêntistas cognitivos, neurofarmacologistas, neurofisiologistas, neuroanatomistas e neurocientistas computacionais da Universidade de Cambrigde, que analisaram a consciência nos animais, provando, portanto, que os animais não humanos, assim como nós, humanos, possuem senciência.

É o mecanismo da senciência que diferencia os animais (incluindo nós humanos) das plantas e pedras, já que estas não têm capacidade de fazer escolhas conscientes com o intuito de esquivar-se do perigo iminente à sua vida. Os animais, ao se esquivarem, mostram que têm interesse em preservar-se e que, dessa forma, têm interesse em manter sua vida, integridade física, mental e liberdade, ou seja, desejam se manter vivos, livres, relacionar-se com outros de sua espécie, até com os humanos, como no caso de cães, que têm prazer em conviver conosco, assim como terem suas características, conforme sua espécie, respeitada, ainda que não consigam elaborar conceitos racionalmente.

Apesar dessas constatações, alguns humanos, que também são sencientes, mas que, muito embora, possuam a capacidade de forma racional fazer suas escolhas, escolhem desconsiderando o interesse de outros animais, os abandonar, caçar, aprisionar, infringir dor e sofrimento, matar, para utilizá-los como forma de lazer, diversão, alimentação, vestimenta, apesar de terem à mão uma vastidão de outros alimentos que poderiam consumir que não de origem animal, outras formas de se vestir e de se divertir, com outras formas de lazer que não utilize animais.

Enquanto que na natureza animais que caçam outros, os matando para comer, não têm escolha, sendo a única maneira para alimentar-se, e jamais são capazes de fazê-lo pura e simplesmente para divertirem-se com o sofrimento de outros.

Então, os animais sentem como os humanos?

Na verdade, chegamos à conclusão que os animais não humanos têm, sim, a mesma capacidade de sentir, de ter sensações, dor, prazer e de ter emoções como nós, mas apenas os humanos, apesar de estabelecerem conceitos racionalmente, são capazes de, tendo outras opções, escolher que outros animais sintam dor, agonia, medo, pavor.

É válido que a humanidade, neste momento de reflexão, analisando que na realidade tudo o que foi nunca mais será igual na pós pandemia do coronavírus, repense sobre uma das características marcantes do antropocentrismo (concepção que considera apenas os interesses dos seres humanos), que é a perda da ligação do homem com a natureza, e mais, com a negação de sua condição intrínseca de ser um animal da espécie humana. E que isso resulte em uma reflexão mais profunda, redescobrindo-se como administrador do planeta, passando, a partir de então, conviver em harmonia com a natureza e os outros animais, não mais escolhendo manter uma relação predatória com estes, haja vista que resta comprovado que a exploração de animais, da natureza, infringiu danos irreversíveis que prejudica, inclusive, a própria vida humana na Terra.

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