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Contexto Paulista

São Paulo cria rede de coleta de plasma para tratamento da Covid-19

04/04/2021 - 08h36

O tratamento de pacientes de Covid-19 pela transfusão do plasma de convalescente, produto obtido a partir do sangue coletado de outras pessoas infectadas com o novo coronavírus, já é possível no Estado de São Paulo. O governo estadual anunciou a criação de uma rede para garantir esse salto de qualidade no enfrentamento da pandemia. O plasma de convalescente, retirado do sangue de voluntários, contém anticorpos neutralizantes contra o SARS-CoV-2. É obtido por meio de doação de sangue voluntária de pessoas que já foram contaminadas pelo novo coronavírus e que, portanto, já possuem anticorpos. Pilotos do projeto estão em andamento, inicialmente, nas cidades de Araraquara e Santos.

Parcerias

O serviço terá a coordenação do Instituto Butantan. A estrutura deverá garantir a logística necessária para coletar, distribuir e utilizar o plasma convalescente nos serviços de saúde de todo o Estado. Por enquanto, o órgão contará com a colaboração de cinco grandes hemocentros parceiros: HHemo, Fundação Pró-Sangue e Colsan, em São Paulo, Hemocentro da Unicamp (Campinas) e Hemocentro de Ribeirão Preto.

O que é o tratamento

O plasma é a parte líquida do sangue, e é nele que estão contidos os anticorpos. O objetivo de um tratamento utilizando plasma convalescente é transferir ao paciente, de maneira passiva, um quantitativo de anticorpos suficiente para combater o vírus. Dimas Covas, diretor-presidente do Instituto Butantan, compara o tratamento a uma vacina imediata: ele transfere anticorpos contra o novo coronavírus ao mesmo tempo em que o organismo do paciente responde pela sua imunidade normal.

Como doar

As regras para doar o plasma são: ter boas condições de saúde, ter entre 16 e 69 anos, pesar no mínimo 50 quilos, evitar alimentação gordurosa antes da doação e apresentar documento original com foto. É fundamental que o doador já tenha sido contaminado pela covid-19 anteriormente, pelo menos 30 dias antes do ato da doação.

Alternativa

Não há terapia específica contra a covid-19, ressalta Dimas Covas, mas o tratamento com o plasma tem trazido bons resultados. “O objetivo do plasma é transferir ao paciente anticorpos de maneira passiva, até que o organismo afetado tenha tempo de reagir e montar a sua resposta imune”. O plasma de convalescente é indicado para pessoas que estão apresentando sintomas há, no máximo, 72 horas, e que têm diagnóstico confirmado por exames. Os públicos-alvos do tratamento são os imunossuprimidos, idosos e pacientes com comorbidades.

Doadores homens

Os voluntários devem ser, prioritariamente, do sexo masculino. Isso porque, durante a gestação, a mulher libera anticorpos na corrente sanguínea que podem causar uma reação grave chamada TRALI (transfusion-related acute lung injury) no paciente que recebe a transfusão.

Tainá interage

Uma ferramenta de assistência virtual do Butantan, chamada “Tainá”, vai auxiliar na organização da rede de plasma no Estado, por meio do controle do estoque da substância, monitoramento dos locais onde o produto será distribuído e de quais os pacientes que serão contemplados, além de efetuar o acompanhamento da evolução clínica de cada pessoa que receber o plasma. Claudia Anania, gerente de TI do instituto, explica que é mais uma forma da tecnologia ser usada a favor da saúde. “A Tainá vem sendo utilizada em diversos projetos do Butantan, e agora vai organizar a rede de plasmas para termos controle e segurança de nossas ações em várias cidades do país”.

Expansão

Enquanto a hemorrede coletará o plasma de voluntários que já tenham tido covid-19, os municípios de Araraquara e Santos montarão estruturas para avaliar o impacto de seu uso no tratamento de pacientes, acompanhados pela equipe do Butantan. Se o piloto der certo, a ideia é expandir o tratamento para todos os municípios do Estado. “Santos e Araraquara são pilotos controlados. Mas qualquer município que tenha banco de sangue pode incluir a terapia de plasma nos seus procedimentos”, explica Dimas Covas.

Estudos

Há diversos estudos sobre o tratamento de covid-19 com plasma hiperimune, alguns deles realizados no Brasil. Segundo Dimas Covas, a partir dessa base de conhecimento é possível concluir que o plasma não funciona tardiamente, ou seja, deve ser usado precocemente (após no máximo 72 horas do surgimento dos sintomas) e em volumes importantes.

Argentina e Manaus

A utilização de plasma convalescente no tratamento de pacientes de covid-19 é comum na Argentina, por exemplo. O Butantan chegou a enviar a Manaus plasma convalescente para ajudar no tratamento de vítimas do novo coronavírus no auge da crise sanitária do Amazonas. Está disponível na internet protocolo da Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH) sobre o assunto. O protocolo está se tornando uma rotina em muitos hospitais, segundo Dimas Covas.

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