Bauru e grande região

Davison de Lucas

Afinal de contas, quem são eles?

por Davison de Lucas é diretor da M.Davison Consultoria Consultor Organizacional e palestrante www.mdavison.com.br

11/08/2019 - 06h00

A causa do desemprego no Brasil, excessivamente divulgada, está clara: o País mergulhou em uma situação econômica sem precedente. Se cada uma das pequenas e médias empresas do País gerar apenas um emprego, uma vez que são por volta de 15 milhões de organizações, o problema está mais do que resolvido. É lógico que essa movimentação está atrelada a demanda de mercado. Mas,o que me chama a atenção é que a imprensa não mergulhou ainda em saber o passado desses profissionais que perderam seus empregos, como se eles fossem só vítimas e não tivessem nada a ver com a situação.

Quem são os mais de 13milhões de desempregados? Considerando minhas andanças como consultor, posso adiantar que uma parte é "vagabunda", outra boa parte, no linguajar popular, "meia boca", "três oitavos de boca" etc. Têm também os que estavam fora de suas vocações, não trazendo os resultados desejados. Os desempregados profissionais excelentes, que dão o máximo de si, devem ser poucos. Acredito que devem estar em torno de 5% ou menos. A excelência aqui mencionada tem a ver com dedicação, proatividade e foco acima do normal. O empresário competente sabe que a crise passa e se esforça em reter essa minoria valiosa dos excelentes em seu quadro. É lógico que aqui está sendo considerado apenas a iniciativa privada. O perfil do servidor do Estado, com raras exceções, deixa a desejar. Em resumo, a produtividade do Brasil é muito baixa. Segundo informações do professor José Pastore, presidente do Conselho de Emprego e Relações do Trabalho da Fecomercio-SP, o brasileiro gasta uma hora para fazer o mesmo produto ou serviço que um norte-americano consegue realizar em 15 minutos e um coreano em 20 minutos. Nesse caso, tem-se que considerar também as questões de educação, estruturas das empresas, fatores culturais, principalmente a tal da indisciplina.

Por sua vez, de maneira geral, o empresário percebeu que o meia boca, além do mais, contamina o ambiente e gerou uma determinada intolerância à ausência de excelência. Resultado: o nível de exigência aumentou sensivelmente, de tal forma que não está fácil um candidato a trabalho passar por um recrutamento e seleção organizacional.

Acredito muito que o surgimento de crise, de tempo em tempo, é uma forma de separar o joio do trigo moderna, dos dias atuais. Warren Buffett, investidor e filantropo americano, constantemente citado na lista da Forbes das pessoas com maior capital do mundo, tem uma afirmação que aprecio muito: "É nas ressacas que descobre-se quem estava nadando sem roupa. Nada como uma boa crise para discernir os preparados dos despreparados."

Em outras palavras, é a lei da ação e reação atuando. Os improdutivos são indivíduos possivelmente que não conseguiram aprender através do amor e da sabedoria. São obrigados a aprender através da dor. A própria palavra "amador" significa que a pessoa "ama" a "dor". A frustração surge quando a ilusão tenta se impor sobre a realidade.

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