Bauru e grande região

Kleber Santos

Covid-19: governo erra na comunicação

18/01/2021 - 16h45

Lambança. Essa é a palavra que define a comunicação adotada até o momento pelo governo – em todas as esferas – frente à Covid-19. A confusão generalizada é formada pela falta de unidade na mensagem, informações desencontradas, impasse entre ciência e administração pública e o insuficiente repasse de dados para a mídia e a população. Em cenário assim, prolifera a ignorância que estamos presenciando, com o debate de um assunto tão vital para a vida sendo conduzido por curiosos, leigos, palpiteiros da saúde sem especialização na área e pelo populismo político irresponsável.

FALTA UNIDADE

Ao contrário da campanha eleitoral, em que cada candidato cria sua narrativa justamente para ser diferente do oponente, na comunicação de utilidade pública, a unidade nas informações é a base para a conquista do objetivo almejado. Infelizmente, estão fazendo o oposto disso. Primeiro, deram orientações conflitantes e confundiram as pessoas sobre se deveriam usar máscaras ou não. Depois, veio um lado dizendo “fique em casa” enquanto o outro mandava ir trabalhar porque o “Brasil não pode parar”. Não há um fio condutor que une tudo.

FALTA SIMPLICIDADE

Na hora de anunciar a vacina, o erro se repetiu. Para que seja compreendida, a mensagem precisa ser clara, sucinta e fácil de entender, mas conseguiram complicar tudo sobre a taxa de eficácia. A confusão no anúncio dos índices gerou desconfiança em vez de segurança, sendo que a principal mensagem a ser fixada seria simplesmente esta: a vacina evita 100% das complicações graves que levam à intubação e à morte. Quanto às reações, são mínimas, nada diferente das provocadas pelas vacinas que tomamos desde criança. Simplificando ainda mais a campanha: vacinado, você não morre de Covid.

FALTA REPETIÇÃO

Um dos princípios para o sucesso da comunicação é repetir a mesma mensagem várias vezes, o que o governo não vem fazendo. Nos veículos de imprensa, há pouca mídia oficial de utilidade pública, as divulgações estão concentradas nos programas jornalísticos. Há de se ressaltar também a ausência de um plano de comunicação para atingir públicos como os vulneráveis, marginalizados e excluídos digitalmente, que não podem ser ignorados.

O ALERTA DE MANAUS

Se os líderes governamentais não comunicam com eficácia e não agem com pulso firme em resposta às ameaças à saúde pública, a sociedade inevitavelmente se torna caótica e anárquica. O resultado é o que estamos vivenciando, em que boa parte das pessoas não dá a devida importância aos apelos de autoridades e profissionais da saúde quanto a não aglomerar, não frequentar praias, não realizar festas clandestinas, entre outras atitudes de alto risco.

Observe a situação de Manaus. O fracasso da comunicação governamental – aliado à politização da ciência e à falta de respeito com as normas sanitárias por boa parte da população – já matou gente demais nessa pandemia. Mas ainda há tempo de corrigir. E isso será restabelecido com verdade, empatia, conscientização e uma comunicação governamental cidadã e mais humana.

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