Bauru e grande região

 
Reflexão e Fé

Trindade

Hugo Evandro Silveira Pastor Titular - Igreja Batista do Estoril. E-mail: [email protected]

28/06/2020 - 05h00

"Peguei um troco e quando ia guardá-lo na carteira, um amigo olhando as notas em minhas mãos, percebeu que uma delas era falsa. Ao ver tanta convicção em suas palavras perguntei: Como você tem certeza disso? Ele respondeu: 'Trabalhei muitos anos no banco e conheço bem uma nota verdadeira. Só de olhar eu sei identificar quando uma é falsa'". Só quem conhece o verdadeiro é que consegue distinguir o falso. Assim é a vida cristã. Muitos por desconhecer as Sagradas Escrituras tem se deixado levar por inúmeras heresias. Vivemos dias difíceis onde às heresias tem se multiplicado. Uma das mais sucintas que tenta invadir o ambiente cristão é o unicismo. Unicismo é o movimento que nega a Trindade o que para nós, cristãos, é uma doutrina fundamental e inquestionável. A ideia unicista não é nova, mas foi desenvolvida desde Macedônio bispo de Constantinopla (341-360) que negava a divindade do Espírito Santo e Ário de Alexandria (250-336) que negava o caráter divino de Cristo, desacreditando os dois, a santíssima Trindade. Em sua heresia Ário defendia a ideia, sem respaldo bíblico algum, de que Cristo não existiu desde a eternidade, mas que foi um ser criado por Deus, assim sendo, Deus e Cristo seriam de essência distinta e, não co-iguais, co-eternos. Com isso ele afirmava que Deus seria um grande eterno mistério, oculto em si mesmo, e que nenhuma criatura conseguiria revelá-lo. O Deus de Ário é um Deus desconhecido, cujo ser se acha oculto em eterno mistério, totalmente distinto do Deus Pai-Nosso revelado em Jesus, o Cristo. A doutrina de ambos já foi devidamente rechaçada pela igreja primitiva, nos primórdios do cristianismo.

Caro leitor, a Igreja, através dos séculos, ensinou sob a iluminação do Espírito Santo, que conduziu sua igreja até aqui, que dentro da unidade do único Deus existem três pessoas distintas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo; e essas três pessoas compartilham da mesma natureza e atributos. Esse é o mistério divino das três pessoas em um único Deus. Os unicistas não aceitam a pluralidade da pessoa divina de Deus, onde 1 1 1= 1. Como afirma o apologista Norman Geisler: "Trindade significa simplesmente Triunidade em que Deus não é uma unidade simples, mas há uma pluralidade em sua unidade". Trindade por tanto vai além da razão humana, mas não contra a razão, argumento de Geisler, i.e., ela não é contra a razão, como muitos críticos acusam. A Trindade não é a crença de que Deus é três pessoas e apenas uma pessoa ao mesmo tempo, isso seria ilógico, mas é a crença de que há um Deus em três pessoas em uma só natureza. Sim, pode ser um mistério, mas não uma contradição.

Portanto apesar da palavra Trindade não ser encontrada na Bíblia o seu conceito é claramente ensinado nas Sagradas Escrituras desde os primeiros discípulos de Jesus: O Pai é Deus, o Filho é Deus, o Espírito Santo é Deus ¬ Há um só Deus! O Próprio Filho é Deus em mesma essência (homoousios) apesar de distinta personalidade do Pai (João 1.1,14), Ele mesmo afirmou ter igualdade com o Deus (Mt 25.31-46 ; Jo 5.23-30), afinal não fosse Jesus Deus, jamais poderia salvar homens da perdição eterna. O Espírito Santo é Deus (At. 5.3,4); Ele próprio ensina (Jo 14.26 ; I Jo 2.27), Ele é a pessoa que convence do pecado (Jo 16.7,8), Ele também como pessoa se entristece com o pecado (Ef 4.30), possui intelecto (I Co 2.10,11), tem vontade (I Co 12.11) e apresenta sentimentos (Ef 4.30). A Bíblia afirma de forma cristalina que os três membros da Trindade são pessoas distintas sendo mencionados de forma diferente dos outros, apesar de serem um.

A Trindade é o centro do cristianismo ortodoxo. C.S. Lewis disse com propriedade: "Se o cristianismo fosse algo inventado por homens, certamente seria muito mais simples" - mas como disse Joseph Ratzinger: "Deus está acima do singular e do plural, Ele rompe com ambas as categorias". Logo, a doutrina da Trindade é um dos grandes mistérios da fé cristã, mas ainda assim, é uma questão de fé, ou seja transcende a razão, e como já foi dito, sem ser contrária a ela. Então Deus é um em essência, mas três em pessoas - é uma pluralidade dentro da unidade. Quando esses conceitos transcendentes são compreendidos por um pobre mortal, a única coisa que resta a fazer é se prostrar em veneração de como incapazes somos. Isto posto, caro leitor, tome todo cuidado ao beber das fontes daqueles que se dizem cristãos, porque, sem que perceba ou se dê conta, estará bebendo veneno para a sua alma.

Ler matéria completa