Bauru e grande região

 
Reflexão e Fé

A confusão destrutiva do secularismo

Hugo Evandro Silveira Pastor Titular - Igreja Batista do Estoril. E-mail: [email protected]

13/09/2020 - 05h00

Que bom ver os jovens comprometidos com a justiça. Mas ao mesmo tempo existe muita incoerência! A nossa cultura atual luta por justiça, mas ao mesmo tempo afirma que ninguém tem o direito de declarar o que é certo e errado. Essa é a premissa do secularismo em que cada um tem o direito de determinar seus próprios valores morais. Ao mesmo tempo que exige-se justiça, acredita-se que a moral é relativa. Entretanto, direitos humanos, compromisso com a dignidade e consideração aos marginalizados só faz sentido em um mundo onde a moralidade é objetiva. É confuso fingir que a moralidade é subjetiva e ao mesmo tempo exigir justiça. Não há como defender os dois planos e esperar que isso seja levado a sério. Quem quer fazer justiça, mas lida com a moralidade de forma relativa, está mantendo as pessoas na escravidão contra a qual alega estar lutando. Um grande problema que tem causado desordem é esse pensamento que cobra comportamento moral, mas que ao mesmo tempo afirma que não há padrão moral universal, objetivo e referente. Tem virado moda ver 'defensores da justiça social' derrubando estátuas históricas e cancelando aqueles que falharam no passado. Qual é o padrão de justiça para determinar isso ou aquilo se acreditam que a moral é relativa? Quem entre nós não tem pecado? Jesus disse a mulher adúltera: "Onde estão os teus acusadores? ... Eu também não te condeno, vai, e de agora em diante não peques mais" (cf. João 8.3-11). Nesse relato, os fariseus, cegos religiosos sociais, foram lacrados por Jesus, julgando-se justos queriam exterminar quem errou no passado, como se eles fossem exemplo de norma e conduta. Até parece o secularismo atual que quer aplicar sua justiça individual em detrimento da moral universal. No Evangelho da graça de Cristo aprendemos a jamais fazermos justiça com nossas mãos, pois Deus, longe de cancelar pecadores como eu e você, enviou seu Filho, Jesus Cristo, para perdoar todos os tipos de pecadores. Cristo não apenas perdoa nossos pecados, mas nos une a si mesmo e começa a operar em nós uma transformação individual e social. Portanto a respeito de uma moral universal que vem sendo desconstruída pela confusão secularista, peguemos o exemplo do racismo: O racismo é universalmente errado, ou, isso é algo que as pessoas deveriam ser livres para decidir por si mesmas? Os jovens secularistas pós-modernos são motivados pelo altruísmo, um forte desejo de promover os direitos humanos e de se preocupar profundamente com o bem-estar da humanidade. Isso é ótimo, realmente admirável, mas num piscar de olhos, os mesmos secularistas vão golpear seus discordantes afirmando que não há certo ou errado e, que toda moral deve ser submetida ao critério do indivíduo, já que não há, segundo eles, uma ordem padrão. Então o que faremos no caso do racismo? É fundamentalmente errado ou relativo? E os pecados da humanidade, são errados, ou, depende do valor particular de cada um? O cristão acredita no amor recíproco, portanto, entendemos que é irresponsável afirmar que a forma como tratamos os outros é apenas uma questão de gosto pessoal. Se a pessoa não reconhece o racismo como fundamentalmente errado, não sendo apenas uma preferência pessoal ou de um determinado grupo, então suas soluções para o racismo serão inadequadas e assim também como seu julgamento sobre outras questões baseadas apenas em critérios relativos, alicerçados no pó. Na questão do racismo, o cristão acredita que não se trata de uma preferência subjetiva, mas que isso sempre será errado, pois se trata de um fundamento que transcende toda opinião humana. Então, quem afirma que não há certo e errado objetivos, está sendo irremediavelmente inconsistente. Na verdade, os seres humanos não podem escapar de quem são, por isso não podem evitar fazer julgamentos morais objetivos. Logo, o secularismo é injusto em sua lógica distorcida e, não consistente com o mundo real, porque o errado sempre será errado mesmo que a opinião individual ou de um grupo alterne. Por isso é que nossas instituições estão desmoronando, porque não reconhecendo o correto, não reconhecem a depravação e nem os limites, sob a utopia de que os fins justificam os meios, emaranhados assim em problemas intratáveis. Em tempo, o evangelho de Cristo oferece uma vida racional e consistente, de acordo com os fatos do mundo real.

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