Bauru e grande região

 
Reflexão e Fé

Apesar das Cosmovisões

Hugo Evandro Silveira Pastor Titular - Igreja Batista do Estoril. E-mail: [email protected]

18/10/2020 - 05h00

Até o fim do século 17, a cosmovisão teísta era claramente dominante no mundo ocidental. Nos debates intelectuais — e haviam tantos quantos hoje — todos concordavam com o mesmo conjunto de pressuposições: "O Deus bíblico, pessoal e trino existia!". Ele se revelara, o universo era sua criação, onde os seres humanos constituíam seu feito especial. Portanto nas batalhas retóricas que haviam até esse período, os limites eram estabelecidos dentro do círculo do teísmo, como exemplo, de que forma Deus era conhecido? Por meio da razão, ou através da revelação, ou da fé́, ou ainda pela simples contemplação? Essas eram discussões travadas em muitas mesas-redondas durante dezenas de séculos.

No período compreendido entre a Idade Média e o fim do século 17, poucos desafiavam a existência de Deus, quase ninguém defendia que a realidade suprema era impessoal ou que a morte significava a extinção individual. E a razão para isso era óbvia, o cristianismo havia impregnado o mundo ocidental de tal forma que todos viviam sob um contexto de ideias transmitidas e influenciadas pela fé judaico-cristã. Mesmo os poucos que rejeitavam a fé, em geral, viviam sob o estigma do medo do inferno ou das aflições do purgatório; pessoas que eram inclinadas á prática de maldades, até podiam rejeitar a fé cristã, mas elas mesmas autorreconheciam-se ser más, basicamente, em referência aos padrões bíblicos, afinal as pressuposições teístas já́ vinham com o leite materno.

Claramente, isso não é mais verdade. Hoje em dia, nascer na parte ocidental do mundo não garante mais que o indivíduo seja um cristão. Boa parte das pessoas parecem conviver bem com a noção de que não há Deus e, assim as cosmovisões proliferaram-se, uma mais opositora que a outra. Basta caminhar pelas ruas de qualquer cidade importante da Europa ou América e o indivíduo logo a frente pode ser adepto de qualquer um dos quase incontáveis padrões distintos de compreensão da vida: ateísmo, niilismo, deísmo, marxismo, ceticismo, naturalismo, panteísmo, existencialismo, liberalismo e claro, o teísmo e etc. Quase nada mais é bizarro para o ser humano contemporâneo.

Além das muitas vantagens, todavia, há um sério problema em nascer e crescer nos dias de hoje. Qualquer criança nascida no século 21, do lado ocidental do mundo, em geral, percebe a realidade em que se encontra, definida sob óticas sociais completamente obscuras e distintas dos seus antecessores familiares. Desse modo, a família tende a romper-se em critérios, conceitos e cosmovisões divergentes. Tal situação nos coloca frente a uma complexidade de um novo mundo formado por uma sociedade pluralista nunca antes visto na história da humanidade, dando-nos uma sensação de um horizonte desvanecido na pós-modernidade. Por exemplo, a homossexualidade foi considerada imoral para a maioria da sociedade antiga, já hoje em dia, um número cada vez maior de pessoas desafia essa posição. Um outro exemplo, o incesto, essa prática sempre foi considerada dentro da categoria da imoralidade e assim ainda permanece; até os homossexuais, em sua visão libertária, em geral não perdoam o incesto. Então, com isso, ainda podemos perceber que apesar das pessoas diferirem em seus julgamentos morais, apesar das múltiplas cosmovisões, em nada altera-se a verdade de que continuamos a viver num mundo moral, porque queira ou não, o universo em que vivemos é moral.

O teísmo, sobrevivente nessa proliferação de pensamentos antagônicos, continua insistindo que não somente há um universo moral, como também há um padrão absoluto pelo qual todos os julgamentos morais são feitos e, esse padrão absoluto se mantem manifestado na grandeza de Deus que é o princípio central de toda moralidade. Então, o centro de toda existência é Deus. O fato é que, embora, a princípio, as cosmovisões pareçam proliferar antagonicamente, elas são constituídas de respostas a questões para as quais há apenas um limitado número de resolução. Por exemplo, na questão da existência da vida, há somente duas respostas básicas a ser fornecidas: ou o universo é auto existente ou um Deus transcendente é que é auto existente e sempre existiu. Logo, o mundo continua permeado pela grandeza de Deus, assim, o cristão permanece na visão teísta fundamentado na revelação bíblica, pois percebemos que a vida é carregada da moralidade de Deus em muitas formas no dia a dia. Isso sinaliza que Deus existe e, não apenas está nos ceús, mas conosco, sustentando-nos, amando-nos e cuidando, sobretudo, em especial, daqueles que reconhecem e devotam respeito e adoração ao Senhor do universo, criador, sustentador e, que por meio de Jesus Cristo, se faz redentor e amigo. Então, apesar das distintas cosmovisões pós modernas, Deus continua sendo Deus.

IGREJA BATISTA DO ESTORIL

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