Bauru e grande região

Reflexão e Fé

Fecha templos

Hugo Evandro Silveira Pastor Titular - Igreja Batista do Estoril. E-mail: [email protected]

11/04/2021 - 05h00

Igrejas abertas ou fechadas foi o centro das discussões na semana passada. Igrejas abertas é um direito constitucional. Desde 7 de janeiro de 1890, por lei, o Brasil goza de liberdade religiosa, assegurada pela Constituição Federal de 1988. O acalorado debate dessa semana revela que nem todos os evangélicos e católicos pleiteiam o direito dos templos abertos. Na complexidade do mundo cristão, não são todas as organizações eclesiásticas favoráveis aos templos funcionando nesses dias agudos de pandemia. Por outro lado, talvez a maioria, evoca o direito constitucional de terem seus templos funcionando, com regras sanitárias.

Os favoráveis aos templos abertos acusam que o fechamento é sinal de perseguição religiosa. O temor de perseguição não é receio banal. Estima-se que mais de 260 milhões de cristãos tem enfrentado algum tipo de perseguição religiosa no mundo atual. O aumento do poder de intervenção do Estado que toma medidas autoritárias e arbitrárias, sem o crivo do poder legislativo, gera temor e pode sim ser letal, como já foi e tem sido em muitos lugares do planeta. Hoje proíbe-se a abertura dos templos, amanhã a fé. Em um país laico, sob harmonia constitucional, pode-se orientar igrejas ao não funcionamento presencial no ápice da pandemia, mas jamais mandar fechá-las ditatorialmente. Causa estranheza, afinal, não faltam na rede movimentos estimulando e planejando o fechamento das igrejas. Contudo, apesar dessa estranheza, ainda assim, não se pode confundir essa restrição dos templos amparada em questões sanitárias, como perseguição religiosa.

Todo cristão em sã consciência, defende a vida recíproca e incondicional. Nisso, a igreja cristã tem sido uma inestimável colaboradora na doação de alimentos e remédios em todo o país. Com seus grupos de apoios, padres e pastores, tem atuado onde o estado e profissionais não chegam. Gratuitamente epíscopos aconselham mais jovens, homens, mulheres e casais do que os consultórios de terapia. A assistência que a igreja oferece à sociedade é de valor imensurável. Os que depreciam a igreja, apedrejam-na por causa dos poucos maus exemplos, mas não conhecem a sua gigantesca função social que gera amor, compaixão, misericórdia e graça. A igreja tem livrado milhares de almas da miséria, da separação familiar, da depressão e suicídio.

Há mais de um ano de pandemia com festas clandestinas, churrascos, bailes funks, ônibus e aviões lotados, festas de figurões e políticos que insistem em aglomerar, a igreja é que acaba sendo penalizada como se fosse causadora do aumento de infectados; logo ela que utiliza protocolos de biossegurança, acolhe, recupera pessoas, sustenta-as, defende a Constituição e abençoa os governos. Em geral as autoridades pouco fizeram, antes, desperdiçaram recursos, quebraram o comércio, superfaturaram insumos, sucatearam a saúde, impediram procedimentos básicos e nada foi otimizado. Não se pode negar, em contraponto, que nesse cenário muitos gritam por templos abertos, mas com mentes fechadas quanto ao perigo sanitário. Não apenas igrejas, mas devemos evitar até mesmo ir na casa de familiares. O bom senso é não se aglomerem, evitem qualquer evento público nesse momento de expansão do vírus. O fechamento por motivos sanitários não é inédito. Na história, igrejas encerraram suas reuniões temporárias em cooperação coletiva para o estancamento do contágio de pragas como a peste negra (200 milhões de mortos) e gripe espanhola (50 milhões de mortos). Deus também requer que sejamos responsáveis mutuamente. Vale cooperar até a onda amenizar. Mas que fique claro: decreto de fechamento de templos religiosos é inconstitucional. Não obstante, em sua espiritualidade, a igreja só é igreja na comunhão com o próximo. Igreja é corpo. Apesar de Deus ser onipresente, o próprio Jesus afirmou, "onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estarei eu no meio deles" (Mateus 18.20) - é fundamento da fé cristã. É na reunião física dos cristãos que a igreja detém a autoridade dada por Jesus. Sob cuidados, a igreja reunida não ameaça à vida, mas promove-a. Uma reunião virtual não é igreja presencial. Claro que também não dependemos de templos para cultuar. O cristão é templo e onde estiver é lugar de culto. Sem o ajuntamento perde-se o caráter congregacional muito caro a nós. Por fim, busquemos a Deus com maior intensidade. Ele continua em seu supremo domínio: "Porque Deus é o Rei de toda a terra... Deus reina sobre as nações, Ele está assentado em seu santo trono" (Salmo 47.7,8)

IGREJA BATISTA DO ESTORIL

58 anos atuando Soli Deo Gloria

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