Bauru e grande região

Reflexão e Fé

Igreja e política

Hugo Evandro Silveira Pastor Sênior - Igreja Batista do Estoril. E-mail: [email protected]

02/05/2021 - 05h00

Quando se trata de política e Igreja, falamos de duas grandezas que não devem se misturar. O ambiente eclesiástico deve seguir o chamado "Princípio Regulador" que é um fundamento cúltico desenvolvido a partir do Novo Testamento. Esse é um valor da liberdade religiosa que só pode ser determinado pela ordenação bíblica. O púlpito, por exemplo, sob o Princípio Regulador, deve reverberar exclusivamente o texto bíblico. Esta é uma marca fundamental de uma igreja local sã. Inclusive isso pode funcionar como critério básico para distinguir uma verdadeira instituição eclesiástica, de um outro grupo que mascara-se como igreja, apenas para escalonar benefícios próprios.

Portanto a mensagem do púlpito deve ser unicamente escriturística, isto é, baseado nas Escrituras Sagradas. A Igreja, seja ela genuína, submetida à Palavra de Deus, não tem autoridade para ditar ao povo o que a própria Escritura não ensina. Logo, podemos afirmar que a Igreja é limitada em sua proclamação, cercada por aquilo que é estabelecido expressa e somente nas Escrituras. O entendimento dessa máxima é que o espaço da igreja, como instituição espiritual, serve puramente para o escopo ministerial e declarativo, i.e., mesmo possuindo o objetivo de influenciar a sociedade, através do Evangelho de Cristo a experimentar paz, ordem, verdade, moral e salvação, mas a sua atuação restringe em expor tais virtudes somente por meio da doutrina bíblica. Nisso, a Igreja não tem poder para acrescentar nada de si mesma e nada subtrair daquilo que o seu Senhor estabeleceu.

A Igreja nunca pode impor sobre as pessoas, regras sociais, ideológicas ou políticas que não fluem dos textos bíblicos. A igreja se cala quando não lhe cabe proclamar a mensagem de amor e salvação de Jesus. No evangelho de Marcos 15.3-5, "Os principais sacerdotes acusaram Jesus de vários crimes. Então Pilatos disse a Jesus: 'Responda alguma coisa, o que diz de todas essas acusações?'. Mas para sua surpresa Jesus não disse coisa alguma". Em sua carta aos Colossenses 2.14,15 o apóstolo Paulo instruiu a igreja: "Façam tudo sem queixas nem discussões, de modo que ninguém possa acusá-los. Levem uma vida pura e inculpável como filhos de Deus, brilhando como luzes resplandecentes num mundo cheio de gente corrompida e perversa". Então a Igreja instituição, nada tem a ver com os poderes desse mundo, e preserva-se de toda corrupção social.

Indistintamente questões de ordem bíblica são envolvidas no âmbito da política, mas o culto não é lugar para dirimir tais questões, que podem a posteriori ser orientadas e não impostas em uma reunião a parte, mas jamais no ambiente da adoração. Sobretudo, a Igreja não tem autoridade para dizer a alguém o que é certo ou errado fora da verdade bíblica. A igreja deve ater-se única e exclusivamente à exposição da Bíblia. Não podemos ir além das Escrituras no púlpito, dizendo às pessoas como acreditar ou como viver politicamente; assim como a política também não tem poder para instruir a igreja de Cristo na terra. A Igreja está limitada, conduzida pelo Espírito Santo à exposição e aplicação da Escritura, porque todo "corpus da fé cristã", a ser partilhado, foi de uma vez por todas depositado na forma da Sagrada Escritura.

Por fim, "Faça o que fizer, trabalhe de coração, como para o Senhor e não para os homens, sabendo que do Senhor receberá a herança como recompensa, porque está servindo ao Senhor Cristo" (Colossenses 3.22-24) - o apóstolo está enfatizando que nosso serviço é sempre e apenas para Cristo, que nossa lealdade exclusiva e definitiva é a Ele. Onde quer que estejamos e o que façamos, estaremos como servos, como agentes de Cristo resplandecendo sua luz e propagando seu Evangelho. A instituição Igreja não se mistura com política, já o cristão individualmente, antes de tudo é um agente do Senhor Jesus Cristo em todos os lugares que atua e, pode ser inclusive na política. Somos cristãos, servindo a Cristo, servindo ao público. Todavia o cristão em sua particularidade, quando é orientado a oferecer lealdade à autoridade civil contrapondo à lealdade ao Senhor, recusa-se. Reiteramos, a instituição Igreja nunca deve se envolver na política, mas quando o indivíduo cristão escolhe enveredar-se pela política, deve ter consciência que a glória ao Senhor Jesus Cristo e a lealdade a Ele devem ser seu objetivo final. E ainda que um cristão não vença uma disputa eleitoral, a sua exultação deve permanecer sobremaneira em Cristo, porque a aprovação que todo cristão deve buscar é a de Deus, não dos homens.

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