Bauru

Reflexão e Fé

O juízo final será o remédio

Hugo Evandro Silveira Pastor Sênior - Igreja Batista do Estoril. E-mail: [email protected]

29/08/2021 - 05h00

Ficamos envergonhados sempre quando surgem escândalos e posturas desequilibradas envolvendo lideranças evangélicas; causa-nos embaraço e profunda tristeza. Ignorância e corrupção presentes no comportamento daqueles que usam a Bíblia como instrumento de fé, expõe negativamente o evangelho de Cristo e faz gerar perda da confiança nas instituições eclesiásticas na visão da sociedade secular e inclusive dos que estão dentro da própria igreja. É como se o poder divino e transformador do evangelho fosse uma grande mentira. Falamos bonito, mas a realidade é feia. Fica parecendo que não há diferença alguma entre os princípios éticos-espirituais de cristãos e não-cristãos. Nosso discurso é um, mas a prática é outra. Nosso palanque vem carregado do ensino magistral de Cristo sobre o amor, respeito, verdade, honestidade, compaixão, sujeição, submissão, equilíbrio e dependência do Eterno, mas a práxis é danosa e egoísta. As manchetes não param de noticiar líderes que buscam benesses do poder que emana do estado. Reverendos, pastores, bispos aparecem envolvidos em escândalos e negociatas em prol de si. Usam o nome de Deus como o instrumento de abuso da fé alheia. Sempre que o nome de Deus é usado por golpistas, totalitários, manipuladores, obscurantistas, corruptos, mentirosos, dominadores que articulam uma fé sem nenhum respaldo do evangelho puro e simples, devemos fazer a pergunta: Qual deus?

Que diferença a mensagem de Cristo poderá fazer na boca de líderes religiosos que são investigados por movimentações financeiras suspeitas, denunciados por acúmulo de propriedades decorrentes da fé alheia, sondados por supostas sonegação de impostos e, que ainda apresentam um discurso religioso estranho, truncado, sem base na coerência e na racionalidade do ensino transformador de Cristo? A realidade que o "universo evangélico" criou assombra. A sociedade olha e conclui: "Não preciso de igreja, essa mensagem, que dizem ser de Cristo, que pregam, não muda nada". O mundo está corrompido e a igreja das manchetes também.

Essa "orgia espiritual" poderia ser evitada se tivéssemos um público mais rico no ensino bíblico: "Jesus respondeu: "Vocês erram porque não conhecem as Escrituras nem o poder de Deus!" (Mateus 22.29). Mas faz parte da experiência e tradição de toda igreja, a verdadeira pregação atrair indignos e todo tipo de gente desqualificada socialmente para o seio da própria igreja. Aliás foi Cristo quem declarou: "O Reino dos céus é como uma rede que é lançada ao mar e apanha todo tipo de peixe e quando está cheia, os pescadores a puxam para a praia. Então se assentam e juntam os peixes bons em cestos, e jogam fora os ruins. Assim será no fim dos tempos. Os anjos separarão os perversos dos justos e os lançarão na fornalha ardente, onde haverá choro e ranger de dentes" (Mateus 13.47-50). Jesus quer dizer que a pregação do evangelho naturalmente atrai para o convívio cristão "peixes" de todas as espécies. Uns se aproximam em meio as lágrimas de arrependimento da vida pregressa, desejosos em passar a viver uma nova vida por meio de Cristo Jesus a fim de nunca mais serem os mesmos. Já outros chegam, se aproximam e passam a viver a versão religiosa do mal caratismo que busca prestígio diabólico e o lucro que a religião pode oferecer se manipulada.

A falta da verdadeira fé, faz muitos tomarem o caminho da falcatrua religiosa por acreditarem que tudo está indo "de vento em popa" porque possuem aprovação do divino. Tolos! Ocorre que a Bíblia é clara que Deus não pune todos os pecados nessa vida material. Por isso é que se multiplicam os "gatunos da fé" que inadvertidamente julgam que o silêncio divino representa aprovação dos céus, contudo um dia saberão que Deus é santo e severo juiz dos que usurpam o seu Nome. E a igreja também, imbuída dos valores cristãos em receber à todos que se achegam, não dispõe de subsídios para saber quem é quem e seus reais interesses. Por isso é que Cristo afirma em sua Palavra que somente no final dos tempos a verdadeira igreja emergirá livre daqueles, que embora estejam entre os filhos, jamais se deixaram tornar-se bons e justos conforme o Senhor Jesus destacou em sua analogia de Mateus 13. Em tempo, que a sociedade entenda que em toda igreja local convive-se com pessoas e até líderes, que não se converteu e não se converterá nunca. O joio e o trigo estão lá presentes e nem mesmo a melhor pregação evitará a dubiedade, só o juízo final será o remédio definitivo para todo cinismo.

IGREJA BATISTA DO ESTORIL

59 anos atuando Soli Deo Glória

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