Bauru

Reflexão e Fé

Crianças sem ou com cordão umbilical

Hugo Evandro Silveira Pastor Titular - Igreja Batista do Estoril. E-mail: [email protected]

10/10/2021 - 05h00

Há na Bíblia um livro chamado Provérbios, escrito pelo homem mais sábio da terra. Vale a pena lê-lo. Possui 31 pequenos capítulos. Dá para ler um capítulo por dia. Uma experiência ímpar e gratificante. Encontramos ali muitos conselhos práticos e profundos de convivência. Nas palavras do sábio aprendemos a planejar, tomar decisões e agir. Assimilamos ali que "O coração humano faz planos, mas o Senhor é quem estabelece seus passos" (16.9) e que "Muitos são os planos da mente humana, mas o propósito do Senhor é que permanecerá" (19:21). No tesouro desse livro somos tomados de assombro ao saber inclusive que "Há caminhos que parecem corretos, mas seu fim é caminho de morte" (14.12). Aos filhos, o Provérbios traz porções pouco encontradas em nossa contemporaneidade: "Ouve a instrução de teu pai, e não abandones o ensino de tua mãe" (1.8). O livro do Provérbios vai nos mostrando as recompensas de uma vida equilibrada, dependente do Deus Criador em detrimento das armadilhas da prostituição, embriaguez, rebeldia e preguiça. E para essa semana da criança, o Provérbios ensina a cuidarmos delas. Seu esboço orienta que é dever dos pais formarem seus filhos moralmente e espiritualmente de forma pragmática: "Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele" (22.6). Isso vem na contramão da atualidade onde os pais são cada vez mais conscienciosos, juvenis, mimando seus filhos numa "cultura pop". Nesse aspecto o Provérbios não apenas ajuda crianças a se tornarem educadas, mas também coopera com os adultos a serem adultos responsáveis. Por dar ênfase ao ensino da criança, naturalmente o Provérbios revela sua importância. Estamos na "semana da criança", momento propício de alerta contra o horror e extermínio ainda praticado contra elas. É incrível que apesar de todo o progresso, curiosamente, os próprios progressistas são os que retrocedem na cultura. Senão vejamos: No mundo antigo exterminavam crianças sem nenhum pudor. Mas eles não possuíam o sentimentalismo que temos em relação às nossas crianças hoje. Não havia o dia das crianças, não havia Disney, parques, nem acampamentos de verão, muito menos a idolatria que há hoje sobre elas. No mundo antigo a vida familiar não girava em torno dos filhos. Na melhor das hipóteses crianças eram úteis, fardos na pior, nunca mimadas. Não precisa ir muito longe: Nossos avós em nada foram mimados. Então se havia um fato dominante em relação às crianças nas gerações passadas, ainda mais no mundo antigo, eram suas altas taxas de mortalidade, especialmente entre bebês. Muitos recém-nascidos nasciam mortos ou morriam em trabalho de parto. Aqueles que conseguiam sair do útero em segurança, muitas vezes, passavam fome, destrato. Não poucas eram abandonadas, deixadas para morrer. Filhos indesejados, na maioria das vezes meninas, por serem "pouco úteis", eram eliminados. Milhares abortados no útero. Quantos que nem eram considerados parte da família até que o pai os reconhecessem oficialmente. Havia pouca importância com os bebês e não se hesitava em livrar-se deles. Nesse cruel cenário do mundo antigo, judeus proibiam o aborto. A partir da era cristã, cristãos sempre foram severos opositores a matança de crianças, fora ou dentro do útero: "Não se deve abortar uma criança ou cometer infanticídio", (Didachê II d.C.). O próprio Filho de Deus acolheu as crianças quando outros queriam afastá-las (Marcos 10.13-16). Ele inclusive disse que o nosso amor por Ele seria medido pelo nosso amor pelas crianças (Mc 9.36-37). Jesus pegou as crianças nos braços como se dissesse: "Honre estes pequeninos e me honrará. Mande-os embora por sua insignificância e demonstrará que não entende nada dos valores do Reino de Deus".Apesar do "dia das crianças", milhares ainda sofrem maus tratos, incontáveis são exterminados no ventre. O livro do Provérbios ajuda-nos a reflexão de evitar decisões erradas: "Quem zomba da instrução pagará por ela, mas aquele que respeita o mandamento será recompensado" (13.13). Oremos, portanto, para que o Criador, em seu mistério, faça mudar de ideia os que maltratam os nascidos, faça mudar de ideia sobretudo os que exterminam indefesos dentro do útero materno, para que nasçam e venham celebrar o dia da criança. Oremos para que a nossa sociedade não retroceda na história, no tempo que imolavam nascituros indesejados. Oremos para que cada mãe, pai, juiz, político e médico se convença que a vida é sagrada a partir do ventre. Oremos para que os homens sejam responsáveis com a vida alheia. Jesus ama as criancinhas, sem ou com cordão umbilical. Feliz dia das crianças.

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