Bauru

Reflexão e Fé

Não existe mudança sem perda

Hugo Evandro Silveira Pastor Titular - Igreja Batista do Estoril. E-mail: [email protected]

09/01/2022 - 05h00

Não dá para mudar sem perder. Motivo esse pelo qual frequentemente as pessoas dizem querer mudar, mas continuam exatamente como estão, mesmos sendo infelizes. Há pessoas profundamente insatisfeitas com a vida, alegam ser assim por causa dos outros: "Seus pais não cuidaram suficiente"; "Os filhos não ligam"; "Os amigos não se importam"; "A empresa não lhe deu as oportunidades merecidas". Conversa com gente assim é uma ladainha de reclamações, porque a culpa é sempre os outros, e sugestões sobre mudanças sempre caem em ouvidos surdos. Claro, todos nós passamos por períodos difíceis em nossas vidas, e é útil conversar com amigos ou familiares sobre as dificuldades. Mas um perigo a se evitar é o de se tornar um reclamante que rejeita ajuda. Para esses, reclamar é uma forma de ser. Pessoas assim se consolam em enfatizar a insatisfação, e ao mesmo tempo dão desculpas atrás de desculpas, motivo que qualquer sugestão não tornará as coisas melhores. Não querem ajuda e sim empatia, desejam validação por sua percepção de que estão sendo tratados injustamente e de que não há nada a fazer para melhorar sua situação. Como não estão interessados em soluções, os viciados em reclamação rejeitam ajuda e tendem minar a energia das pessoas à sua volta. Muitas que vivem dessa maneira sofrem de uma depressão latente que distorce o pensamento e as faz se sentir desamparadas, solitárias, não ouvidas e invisíveis em sua dor. Até se conectam com outras pessoas, mas de preferência que sejam solidárias na prática da reclamação. Para quem reclama, esse jogo costumeiro é uma recompensa.

QUEBRANDO O VÍCIO

O melhor antídoto para reclamação é a gratidão. As pessoas realmente agradecidas não reclamam. Elas estão tão ocupadas dando graças por todas às coisas boas, que não têm tempo para ver às coisas das quais poderiam reclamar. Se você é um desses reclamões inveterados, tente dormir com um coração grato, também deixe isso ser a primeira coisa que você faz logo pela manhã. Agradeça ao próximo. Agradeça a Deus. Agradeça por coisas aparentemente naturais: uma vaga no estacionamento, acordar, o trabalho, uma refeição, à vida. E não desanime se falhar, não jogue a toalha, não desista. Mantenha-se firme até que desenvolva melhores hábitos de gratidão. Jogue fora a reclamação, perca esse hábito, afinal não existe mudança sem perdas.

O PROBLEMA QUE PERSISTE

O problema é que os reclamantes em geral não se veem como pessoas ingratas, negativas ou problemáticas; como o erro é visto sempre do lado de fora, se enxergam simplesmente reagindo à tudo. Inclusive por esse motivo é que também rejeitam sugestões, porque buscam afirmações sobre suas percepções. Gostariam de ouvir coisas do tipo: "Seus amigos, seus pais, seus filhos realmente são horríveis", ou "como seu chefe é injusto". Mas talvez, se pessoas assim fossem desafiadas em ter que ouvir uma concordância ainda mais exagerada do que tem reclamado, do tipo: "pelo seu relato devo concordar que o pior marido que existe no mundo é o seu" - quem sabe sentiria a necessidade de fazer uma correção, uma reanálise por um ângulo melhor: "Sim, a situação com o meu marido não é tão boa, mas ele não é tão ruim como está descrevendo".

NÃO PERMITA SER ATINGIDO

Paulo o apóstolo, orientou: "não vos entregueis a reclamações como aqueles que reclamam..." (I Coríntios 10.10). "Façam tudo sem reclamações ..." (Filipenses 2.14). É possível que você esteja convivendo demasiadamente com quem só reclama e que nunca aceita conselhos. Nesse caso, é bom definir um limite de compaixão: "Eu sei que você está sofrendo, e parte meu coração ver você enfrentando tanta dor. Gostaria de poder ajudá-lo, mas acho que pioro a situação oferecendo sugestões que você não considera úteis. Se eu puder ajudá-lo com algo específico, sinta-se à vontade. Mas não acho que ouvir continuamente o que lhe incomoda possa estar ajudando, porque parece que as coisas estão piorando, e você tem reclamado cada vez mais, progressivamente. Então, acho que devemos conversar sobre outras coisas de agora em diante". Portanto, não permita ser atingido demasiadamente. Respeite seus limites, será mais saudável para ambos ainda que o reclamante não consiga perceber.

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