Bauru

Reflexão e Fé

O valor da Igreja no Estado

Hugo Evandro Silveira Pastor Titular - Igreja Batista do Estoril. E-mail: [email protected]

31/07/2022 - 05h00

Embora a separação entre Estado e Igreja tenha sido um dos principais resultados da Reforma Protestante, por serem instituições distintas, um não deveria ser indiferente ao outro. O pensamento pós moderno possui dificuldades em compreender a soberania da Igreja e sua importância no Estado. O liberalismo desenfreado em detrimento da ordem constituída se tornou o centro da cultura a partir do séc 18, com isso chegamos a pós modernidade onde a mente do nosso tempo não consegue mais ver a Igreja como uma organização divina e soberana onde a ortodoxia deve ser mantida. No terceiro milênio a intolerância religiosa tem reprimido a Igreja, mas ela não é um produto exclusivo do nosso tempo. Na era medieval homens incrédulos perturbavam o bem da espiritualidade cristã causando dissensões e conflitos. Mas nada comparado ao ceticismo maciço dos dias atuais. A nossa sociedade tem muita dificuldade de compreender a magnitude da Igreja porque perdeu de vista o parâmetro da fé bíblica com um dom de Deus; escapou-lhe o perigo da heresia como algo pior que o assassinato do corpo, uma vez que a eternidade da alma vale mais que a existência finita do corpo; desperdiçou o valor da Igreja no Estado em que ambos devem constituir governos coesos por se encontrarem sob o domínio de Deus. Em tempo, para Igreja interpretamos como uma instituição organizada em diversos blocos denominacionais, formada por um ajuntamento de fiéis unidos pela mesma fé em Cristo Jesus, que possuem a Bíblia como única regra de fé e prática, que prega o Evangelho de Cristo e que adora o único Deus Trino eterno e verdadeiro.

IGREJA E ESTADO SÃO DISTINTOS

A convenção das igrejas Batistas afirma através do seu Pacto e Comunhão: "Tanto a igreja como o Estado são ordenados por Deus e responsáveis perante ele. Cada um é distinto; cada um tem um propósito divino; nenhum deve transgredir os direitos do outro". A Bíblia indica que o Estado é estabelecido por Deus para a lei e a ordem (Romanos 13.1-5). O Estado deve agir em benefício dos cidadãos (I Pedro 2.13-14). O cristão deve honrar e orar pelo Estado (I Timóteo 2.1-3 ; I Pedro 2.17); deve pagar impostos (Mateus 22.17-22 ; Romanos 13.6-7) e obedecer o governo exceto quanto a obediência for contrária a vontade de Deus (Atos 4.19-20 ; 5.29). Igreja e Estado são distintos, mas mutuamente benéficos. Por exemplo, o Estado deve garantir a ordem e a segurança de todos, inclusive da Igreja em cumprir a sua missão (Atos 13-16). A Igreja por sua vez deve contribuir com a ordem social no desenvolvimento do respeito, da lei e trabalho (Efésios 4.24-32 ; 1 Pedro 2.11-17). Na contemporaneidade paira o conceito de que o cidadão é mais livre quando o Estado não professa nenhuma fé. Realmente o Estado não deve professar nenhuma fé, é laico, contudo isso não significa que o Estado não deva proteger a igreja.

ISRAEL TEOCRÁTICO

O Estado de Israel possui um legado teocrático desde os seus patriarcas. O termo "teocracia" foi cunhado provavelmente pelo historiador Flávio Josefo. Ele observa que, quanto ao governo das outras nações, algumas delas eram monarquias, outras oligarquias, quase nenhuma democracia, mas em Israel o que Deus instituiu foi uma teocracia. Os Dez Mandamentos eram normas fundamentais do comportamento humano que correspondiam não somente ao âmbito da fé, mas evidentemente à lei natural. Na plenitude dos tempos Jesus Cristo foi manifestado e extravasou à geografia de Israel ordenando seus discípulos à influenciarem todas as nações no sentido amplo e óbvio do domínio do Estado: Governo, Família, Religião, Educação, Mídia, Artes e Negócios. Sobre essa máxima o teólogo São Tomás de Aquino (XIII) apresentou em sua "Summa Theologica" que todas as coisas criadas, foram por Deus criadas para a salvação das almas. Nesse sentido os próprios homens foram criados para a salvação uns dos outros, justamente por isso vivem em sociedade; nisso o Estado como centro regulador não intervém, ao contrário protege aquele que o abençoa. Enfim, o homem no mundo não tem sido como Deus quer que ele seja, a menos que aceite o Corpo de Cristo, sua Igreja redimida por Nosso Senhor. O mundo moderno tem se desviado de Deus e sofre por sua apostasia e desordem. O advento da separação do Estado e Igreja resultante da Reforma, é ideal, contudo, sem a aceitação do valor da Igreja no cotidiano do Estado, se estabelece o funeral de ordem espiritual de uma multidão cada vez mais entorpecida pelo ceticismo.

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