Bauru e grande região

 
Reinaldo Cafeo

Ministério da Economia projeta queda de 4,7% no PIB

17/05/2020 - 06h00

Agora é oficial: o Ministério da Economia projeta queda de 4,7% no PIB brasileiro para este ano. Em março esta previsão era de alta de 0,02% e com passar do tempo os números foram revistos, infelizmente, para baixo. Os impactos da paradeira da quarentena do Coronavid19 estão retratados nestas projeções.

É mais do que o Boletim Focus

Pode até ser que amanhã, no Boletim Focus semanal, as projeções sejam piores, mas a última projeção do Boletim era menor que este número: 4,11%. Este valor é a mediana (valor do meio) da série levantada pelo Banco Central com os principais operadores do mercado.

É menos do que o FMI e Banco Mundial

O Fundo Monetário Internacional projeta queda de 5,3% para o PIB brasileiro este ano, enquanto o Banco Mundial indica queda de 5%.

Perda de R$ 20 bilhões por semana

A conta é essa: cada semana de isolamento social há perda de R$ 20 bilhões no PIB brasileiro. Caso o confinamento se prolongue, novas projeções, para pior serão definidas. Os dados de março deste ano apontam recuo de 9,1% na produção industrial (pior resultado desde 2002), sendo que o setor de serviços recuou 6,9% no mês e o comércio observou queda de 2,5%.

Impacto em todos, inclusive no setor público

O setor privado é quem gera riquezas. Com a queda do PIB na magnitude projetada (4,7% em termos reais e aproximadamente 6,5% em termos nominais), o desemprego cresce e com ele potencializam o caos social. O setor público que subtrai da economia parte da riqueza gerada (em torno de 35% do PIB) perde arrecadação, e o endividamento é inevitável. Resumo: todos estaremos mais pobres e o desequilíbrio econômico é inevitável.

Risco-Brasil cresce

Mesmo considerando que todos os Países de alguma maneira estão sendo afetados pela pandemia do Covid19, o Brasil agrega um ingrediente as incertezas da pandemia: crise política. Dispensa de Ministros importantes, vídeos comprometedores, divergências entre União, Estados e Municípios no tocante ao combate da pandemia, geram dúvidas sobre o que esperar do Brasil nos próximos anos. O Risco-Brasil cresce e o trabalho daqui para frente será árduo. Triste momento da história brasileira.

Dólar reflete o risco

O Banco Central brasileiro vem atuando fortemente no mercado de câmbio. Com baixo fluxo financeiro, em parte pela queda dos juros básicos no Brasil, com incertezas, gerando, como destacado acima aumento do Risco-Brasil, o desequilíbrio entre oferta e procura fez a cotação do dólar se aproximar do inimaginável R$ 6,00 (dólar comercial). É mais um indicador apontando a instabilidade no mercado. Nenhuma tendência de queda no curto prazo.

E-commerce em alta

É um efeito substituição, mas chama a atenção o crescimento no e-commerce para tentar driblar a paradeira devido ao fechamento das lojas físicas: 48,3% no primeiro trimestre deste ano sobre idêntico período do ano passado. No recorte março deste ano sobre fevereiro a alta é de 14,4%. O faturamento atingiu R$ 60 bilhões com mais de 148 milhões de pedidos. Mais de 10 milhões de novos consumidores aderiram as compras online.

No amor ou na dor

Notadamente os empresários de pequenos negócios adiaram e até não acreditavam no comércio virtual. Quando se viram com as portas fechadas e sem consumidores, se deram conta que algo nesta direção teria que ser feito. A sobrevivência falou mais alto. Ainda não estruturaram em todas as dimensões este novo modelo de negócios, mas mesmo na dor acabaram ingressando no mundo digital. É mais um aprendizado do isolamento social.

Mude já, mude para melhor!

Qual aprendizado você leva deste período de quarentena? A palavra acolhida tem norteado meus pensamentos. Creio que acolher resume em parte este chamado novo normal. Sempre é tempo para mudar. Mude já, mude para melhor!

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