Bauru e grande região

 
Reinaldo Cafeo

Menor taxa de juros da história

09/08/2020 - 05h00

Com a decisão do Comitê de Política Monetária do Banco Central em reduzir a taxa de juros básica (Selic) de 2,25% para 2,00% ao ano, o Brasil passa a praticar a menor taxa de sua história. Foi a nona redução seguida. Também é praticada a menor taxa de juros real, isto é, os juros descontados a inflação. Em 2005 a taxa real atingiu 12% ao ano, atualmente não chega a 0,5% ao ano. Mudança expressiva.

Vai gerar consumo?

Uma das expectativas quando há redução da taxa de juros é que esta queda chegue na ponta, para o tomador de recursos, aumentando o consumo das famílias, contudo, não é isso que se observa, ao menos nas últimas reduções. A falta de apetite em assumir risco, tem represado recursos no sistema financeiro nacional. Além disso, o consumidor está ferido financeiramente, portanto, os juros em queda não devem movimentar a variável consumo.

Empresas, construção civil e mercado automotivo

Já as empresas que apresentam bons números em seus balanços, será possível captar recursos para capital de giro com taxa menor, desde que as garantias sejam reais. Os financiamentos imobiliários devem ficar mais baratos, bem como o financiamento para automóveis. Estes financiamentos garantem alienação do imóvel ou do veículo, oferecendo garantia adicional.

Renda fixa perderá para inflação

O rendimento líquido das aplicações financeiras consideradas conservadoras deve perder para a inflação. A caderneta de poupança, por exemplo, rende 70% da taxa Selic, portanto 1,40% ao ano. A inflação projetada para 12 meses está na casa dos 1,7%, com viés de alta para o ano que vem. Assim, depois de um ano de aplicação a poupança sequer reporá a inflação. Também a renda fixa atrelada ao CDI (juros entre bancos) deve perder para inflação. Em boa parte das aplicações, ocorre a incidência de imposto de renda, portanto, o ganho líquido, deve perder para inflação.

Renda variável e imóveis

Ganhos maiores somente com algum risco. São os casos das aplicações em renda variável, como ações e fundos imobiliários. O segmento de imóveis deve ser favorecido, tanto pela queda nos juros do financiamento, como mencionado acima, como no rendimento de aluguel. Vale destacar que com elevados estoques de imóveis, os preços praticados no mercado estão convidativos. Imóvel tem baixa liquidez, mas comprando com preço abaixo de mercado a rentabilidade poderá compensar o eventual sacrifício no valor caso tenha que desfazer do imóvel.

Desemprego: taxa sobre para 13,3%

A taxa de desocupação subiu para 13,3% no segundo trimestre de 2020. O dado anterior era de 12,2% (período de janeiro a março deste ano). Os dados são do IBGE. No Brasil o número de pessoas ocupadas teve redução recorde de 9,6% no trimestre que se encerrou em junho. São mais de 12,8 milhões de desocupados.

Projeção é de piora

Com o tombo já verificado na economia e com as famílias e empresas feridas financeiramente, o País deve atingir o pior nível de taxa de desemprego da série histórica do IBGE. Vale destacar que o desemprego é medido levando em conta o esforço do trabalhador em procurar uma vaga de emprego. Com o distanciamento social e ainda o isolamento social, quase 7 milhões de brasileiros deixaram de procurar emprego. Em algum momento parte deste contingente voltará a procurar emprego, e a taxa de desemprego irá se elevar. Como sempre tenho colocado: o desemprego sobe rapidamente e cai lentamente, é uma montanha russa ao contrário. Equacionar o desemprego tem sido e será um dos grandes desafios da economia brasileira.

Mude já, mude para melhor!

Hoje dia dos Pais. Quero citar o exemplo do meu saudoso Pai, Aristides Cafeo. Sua dedicação a família, sua humildade e companheirismo foram marcas importantes. Seus ensinamentos me ajudaram na formação de caráter. A você que exerce papel de pai, independentemente de ser o pai biológico ou não, comemore este dia. Feliz Dia dos Pais. Sempre é tempo para mudar. Mude já, mude para melhor!

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