Bauru

Reinaldo Cafeo

PIB americano: contração

31/07/2022 - 05h00

Depois da contração de 1,6% do PIB dos EUA no primeiro trimestre deste ano, os dados do segundo trimestre apontaram para nova retração, agora de 0,9%. Isso aumenta o risco de recessão na maior economia do mundo. Os dados ainda são contraditórios, pois a taxa de desemprego ainda é baixa (3,6%). De qualquer maneira a possibilidade de recessão devido a alta dos juros para combater a inflação, está no radar do mercado.

Juros subiram 0,75 ponto percentual

Como a inflação anualizada nos EUA atingiu 9,1% o Banco Central americano elevou novamente a taxa básica de juros em 0,75 ponto percentual. Isso é um dos motivos para o temor do mercado no tocante a possível recessão na economia americana.

Inflação do aluguel desacelera

O IGP-M (Índice Geral de Preços - Mercado), indexador preferido pelos donos de imóveis para reajustar o valor dos aluguéis, desacelerou em julho: 0,21%. Assim a taxa anualizada é de 10,08%. Os três subíndices que compõem o IGP-M tiveram queda. O IPP - Índice de Preços ao Produtor, que pesa 60% do IGP-M, caiu de 0,30% em junho para 0,21% em julho. O IPC - Índice de Preços ao Consumidor, que pesa 30%, registrou deflação de 0,28%, sendo que no mês anterior o índice foi positivo em 0,71%. Já o INCC - Índice Nacional da Construção Civil, com peso de 10%, recuou de 2,81% em junho para 1,16% no período.

Reajuste dos aluguéis em julho: 10,08%

Caso seu contrato de aluguel tenha como data base o mês de agosto, o reajuste legal é de 10,08%. Depois de o IGP-M ficar muito acima da inflação oficial, atingindo em alguns meses mais de 30% no acumulado em 12 meses, agora começa a convergir para os índices oficiais de inflação. De qualquer maneira é recomendado evitar que o IGP-M seja utilizado como indexador de contratos, principalmente porque o peso maior no índice é o IPP (60%) e este segue muito de perto os preços internacionais de commodities e a variação na cotação do dólar.

Inflação, desinflação e deflação

Como colocado, o IPC teve deflação em julho, isso nos remete a esclarecer três conceitos importantes: inflação, desinflação e deflação. Inflação é o aumento geral e contínuo de preços. Assim, a maior parte dos preços pesquisados pelos Institutos de Pesquisas sobe. Já a desinflação, é quando ainda tem inflação, porém, os preços sobem, em média, em uma velocidade menor. É como se um veículo estivesse, por exemplo, a 120 quilômetros por hora e reduzisse para 80 quilômetros por hora. Continua andando, mas em menor velocidade. Agora, a deflação é quando os preços, também na média, recuam em relação ao período anterior. A deflação não pode persistir por muito tempo, pois pode desestimular o setor produtivo, posto que com preços recuando as margens de lucro caem, e os investimentos no setor podem ser reduzidos.

Riscos do populismo para a economia

Uma economia que se sustenta ao longo do tempo, é uma economia voltada para o mercado. O chamado tripé-macroeconômico: metas de inflação, câmbio flexível e rigor fiscal, uma vez cumpridos, garantem investimentos produtivos consistentes, devido a previsibilidade do comportamento da economia, por isso, é pinçada a expressão "sustentação do crescimento". Em países em que o populismo falou mais alto, este tripé foi abandonado, e a forte intervenção estatal, gerou incertezas, desequilibrando a economia. Caso o rigor fiscal seja abandonado, com um Estado gastador, a incerteza se instala na economia, e os agentes econômicos tendem a se proteger em moeda estrangeira estável. Isso exige aumento na taxa de juros, aumentando endividamento público, elevando a inflação, sem contar o adiamento dos investimentos na produção. Como estamos em ano de eleições presidenciais no Brasil, redobre a atenção e analise os programas de governo no tocante ao modelo econômico, para que não optemos por quem pode levar o país a aventura fiscal, e em seguida abandonar o tripé-macroeconômico.

Mude já, mude para melhor!

Hoje vamos homenagear a cidade de Bauru pelos 126 anos (01/08) e a Associação Comercial e Industrial de Bauru (ACIB), que tenho orgulho de presidir, pelos seus 91 anos (02/08) de fundação. Uma cidade que tem em sua gente seu maior valor e uma Entidade que ajuda a construir a riqueza de Bauru. Parabéns! Mude já, mude para melhor!

 

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