Bauru e grande região

Wagner Teodoro

O sonho e a obrigação

por JCNET

11/08/2019 - 06h00

O futebol no Velho Continente já começa a temporada 2019/20 e algumas ligas dão seu pontapé inicial neste final da semana. Enquanto isso, a Fifa divulgou, no último dia do mês passado, a relação dos indicados ao "The Best", o prêmio de melhor jogador do mundo na temporada 2018/19, que será entregue em setembro. E lá estão em novo embate e apontados como favoritos Lionel Messi e Cristiano Ronaldo, que monopolizam a disputa e os troféus há mais de uma década, exceção da temporada passada quando Luka Modric levou sua surpreendente Croácia à final da Copa do Mundo e interrompeu a sequência dos dois craques.

Meu palpite é que Cristiano Ronaldo leve mais uma láurea para sua sala de troféus. Ambos brilharam em seus clubes com títulos, se bem que nenhum conseguiu a Champions League. Mas o "Gajo" conduziu Portugal ao título da Liga das Nações 2019, o que pode ser decisivo. Independentemente de quem seja o vencedor, a eterna questão de quem é melhor sempre vai prevalecer.

Muito se diz sobre as características e estilos de cada um. Messi mais espontâneo, talento nato, nasceu com o dom. CR7 talhado em disciplina e determinação para lapidar suas qualidades. Há defensores apaixonados de cada um como o melhor. Mas, para mim, a comparação que deve ser feita não é com base no que os une: o talento. Mas no que os difere: o fardo que carregam.

Contestação

Ambos são brilhantes e consagrados, mas um leva o sonho e o outro, a obrigação, quando falamos de suas seleções. Messi é genial, mas com a camisa da Argentina carrega um peso de 26 anos sem conquistas no time principal. Ele arrasta consigo todo o orgulho ferido de um bicampeão mundial e de uma escola dominante no continente, que não só anseia, mas exige títulos. Com a Argentina sempre favorita, Messi está cruelmente exposto e, como melhor do mundo, tem a obrigação de ser campeão. E não consegue. E é vice. A paixão argentina martiriza, tritura seu próprio craque. E ele se vê contestado.

Aclamação

CR7, não. A camisa de Portugal é muito mais leve do que a argentina. Ali não há exigência, mas esperança e confiança. Com Portugal sempre franco-atirador, o craque leva o sonho lusitano de um futebol protagonista. A pressão é infinitamente menor. Cristiano centraliza a crença de um Portugal grande, mesmo sem uma história de grandeza futebolística de sua seleção. História que ele vem escrevendo, diga-se. A ascensão de Portugal para o atual patamar deve-se a CR7. Com ambos consagrados em seus times, foi ele quem conseguiu títulos com sua seleção, a Eurocopa de 2015, além da já citada Liga das Nações. E diante potências como Alemanha, França e Inglaterra. Para uma seleção mediana, são conquistas imensuráveis. Certamente o melhor Portugal de todos os tempos.

Fardos

A história há de avaliar quem foi o melhor e, no fim das contas, talvez nem haja uma resposta e nem precise existir. Mas que, quando se pensa em paixão nacional, um levita com o sonho e o outro se arrasta com a obrigação é inegável.

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Em tempo, faço minha estreia aqui neste espaço, no qual aos domingos vou comentar, analisar e opinar sobre um pouco do que ocorre no esporte local, nacional e internacional.

 

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