Bauru e grande região

Wagner Teodoro

Desafios em campo e fora

03/11/2019 - 06h00

O Noroeste teve uma semana de definições. Na segunda-feira elegeu um novo presidente, Rodrigo Gomes, o Mosca, que representa a continuidade do grupo do ex-presidente Estevan Pegoraro, que segue apoiando e dando suporte para o "novo" mandatário, que era seu vice na gestão anterior. A ambição é de, enfim, conseguir montar uma equipe que obtenha o acesso, após dois anos de boas campanhas, onde o Norusca chegou perto, mas acabou falhando no momento decisivo. Para isso, o clube trouxe um especialista: o técnico Luiz Carlos Martins.

Em futebol, a boa contratação é a que dá certo, mas isso só vamos saber no final da Série A3 de 2020. A priori, eu penso que o Norusca acertou em cheio. Acompanhei de perto duas passagens de Martins pelo Alvirrubro, em 1998 e 2008. Competente, e seu currículo fala por si, e é um treinador extremamente profissional e ético. Além disso, absolutamente identificado com o clube, onde foi revelado nas categorias de base e conquistou o título da Terceirona e o acesso, em 1995, já no comando técnico. Capacidade e estrela Martins tem.

A promessa é de aporte financeiro de três empresários, além de Estevan, para contratações e, consequentemente, um elenco com profundidade e perfil da divisão para voltar à A2. Tenho certeza que Martins e Deda vão ser criteriosos para usar bem o orçamento. Nos dois últimos anos, houve certa empolgação com o Noroeste durante a pré-temporada e fica a lição de que o campeonato é árduo e é preciso também ver como vêm as outras equipes. O próprio Martins foi muito lúcido e alertou para as agruras da Terceirona em discurso "pés no chão" em sua apresentação. São apenas duas vagas de acesso. Portanto, sem euforia, porque é difícil subir. Mas que anima o início de trabalho, anima.

Camisas de peso

A Série A3 do próximo ano promete realmente ser uma das mais duras recentemente e vai reunir "times de camisa". A começar pelas quatro novidades. Quem subiu da Bezinha foram Marília e Paulista, que já entram como candidados ao acesso. O MAC volta para fazer o clássico regional com o Norusca. O encontro entre os arquirrivais obviamente é o jogo de maior expectativa para a torcida alvirrubra. Outro time da região que joga a A3 é o Linense, rebaixado da A2 junto com o Nacional. Mais duas forças. Tambérm tradicionais na disputa estão Barretos, Comercial, Rio Preto, Olímpia e Velo Clube. Tradição, nome e camisa não garantem acesso. Mas a expectativa é de um embate feroz pelas duas vagas na Segundona.

Asfixia financeira

Se dentro de campo a tarefa é complicada, mas há a confiança de que o Noroeste vai brigar de igual para igual pelo acesso, fora do gramado a situação é grave. Administrativamente, a preocupação da nova gestão tem que estar totalmente voltada para as penhoras que o clube vem sofrendo. Há leilão do ginásio Panela de Pressão marcado para o dia 11 de dezembro por dívidas trabalhistas e, nesta semana, a Justiça Federal derrubou as cláusulas de impenhorabilidade e inalienação da matrícula da área que o clube ocupa e determinou a penhora de todo o Complexo Damião Garcia por débitos com a União, que incluem inadimplência com o Profut e FGTS.

A questão é urgente e a diretoria vai ter que tomar uma atitude e se posicionar de maneira transparente com o torcedor noroestino, que vê o quadro com apreensão. É inaceitável qualquer omissão neste caso. Há uma solução para o clube manter seu patrimônio? Ou o Noroeste vai optar por vender parte ou toda a área para acertar de vez sua situação financeira e se reestruturar em cima disso? O Norusca acumula dívidas também com a prefeitura e sofre ameaça de penhora de renda de jogos e cotas a que tenha direito. É todo um processo que asfixia o clube.

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