Bauru e grande região

Wagner Teodoro

Subiu a 'nota de corte'

01/12/2019 - 06h00

A campanha do Flamengo no Brasileirão, os títulos rubro-negros nacional e da Libertadores e, sobretudo, o futebol do time sob a batuta de Jorge Jesus elevaram o padrão de exigência no futebol brasileiro. E a "nota de corte" subiu porque o torcedor em geral vê que muitos hábitos - ou vícios - tidos como eficientes e necessários não são tão imprescindíveis assim. O Flamengo não poupa e os jogadores rendem. O Flamengo joga para frente e vence. Mas o patamar também ficou mais alto quando se pensa em planejamento. O Flamengo gastou. Muito e bem.

Abrem-se algumas questões que serão resolvidas muito provavelmente após o Mundial de Clubes, sonho que, se realizado, encerraria um ano perfeito. Jorge Jesus fica? Especula-se um retorno à Europa. E Gabriel, absurdamente valorizado? A Internazionale está ávida para fazer dinheiro com uma contratação que no Calccio foi um verdadeira furada. De repente, o "ragazzo problematico" se transforma no "garoto de ouro". As cifras cintilam. O Flamengo, ciente, estaria cogitando Cavani ou Diego Costa. Indefinições do futuro à parte, a realidade do momento é que o Flamengo sobrou de uma maneira espantosa. Sendo assim, fica a curiosidade sobre como quem pode fazer frente a ele vai reagir.

Gastar certo

Vou me ater aos grandes paulistas. O Palmeiras, financeiramente, talvez seja o único que pode peitar o rubro-negro. A situação privilegiada das contas alviverdes permite montar um esquadrão e impedir uma possível hegemonia rubro-negra. O ano termina com a autoestima do Palmeiras em baixa. Sem título e com um retorno muito abaixo do esperado do que foi investido em contratações. Gastou e mal. A pressão por resultados em 2020 chegará ao ápice. E uma limpeza para se chegar aos objetivos deve ocorrer. Mano Menezes, que nunca foi unanimidade, não está garantido. O nome de Jorge Sampaoli ganha força. Além disso, o elenco deve ter mudanças profundas. Mas há muitos jogadores caros e momentaneamente desvalorizados. A solução vai caber à diretoria. A renovação é necessária.

Gastar como?

Santos, São Paulo e Corinthians não têm a vitalidade financeira palmeirense. O São Paulo já investiu muito, e foi muito mesmo, no atual elenco. Tem boas opções em todas as posições. Porém, não consegue praticar um futebol convincente. Tem um técnico que a cada rodada dá mostras de que não é o ideal e a diretoria diz que vai insistir com ele. Sim, para trocá-lo somente após a provável queda no mata-mata do Paulistão. Difícil pensar que brigará por título de Libertadores e Brasileirão assim.

O Santos tem uma previsão de temporada dura para 2020. Sampaoli e Paulo Autuori já o perceberam. O primeiro está em vias de confirmar que está de partida. O segundo já o fez. Sem dinheiro, o time mais uma vez buscará na base o que não conseguirá contratar? Se Sampaoli realmente sair, a diretoria terá que garimpar um treinador com capacidade de extrair tudo o que um elenco presumivelmente limitado poderá oferecer. Pedreira pela frente.

O Corinthians de Tiago Nunes qual será? Somente mudanças de atitude e proposta de jogo serão suficientes para almejar algo mais na temporada? Penso que não. Endividado, o clube vai conseguir viabilizar reforços, reforços reais, jogadores que cheguem para elevar o nível do time para o novo treinador? Camacho, Marcelo Cirino… Nenhum é de ponta. Sidcley, Cazares? Luan, tecnicamente é incontestável, mas há um bom tempo que não joga o que já jogou. Teve sequência de lesões e é da mesma estirpe de Pato, Ganso… Aquele tipo que, às vezes, se desliga "um pouquinho". Nunes saiu do Furacão para uma tempestade. Se o time não engrenar logo virão cobranças, pressão.

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