Bauru e grande região

Wagner Teodoro

Parada boa; parada ruim

22/03/2020 - 06h00

A justa, salutar e fundamental paralisação do futebol brasileiro em meio à pandemia do novo coronavírus foi a decisão correta, a única lúcida, pensando na saúde pública e na vida de todos envolvidos com a modalidade. A interrupção do Campeonato Roraimense, anunciada na sexta-feira (20), decretou o fim da bola rolando em todo o território nacional. Absolutamente correto. A situação é grave, não deve ser subestimada. Mas a parada abre perspectiva para analisar para quais times ela pode ser boa ou ruim. Certamente todos serão afetados e têm o planejamento inicial comprometido. Serão necessários ajustes e haverá praticamente um reinício de trabalho. Algo parecido com o que ocorreu no ano passado com o intervalo para a disputa da Copa América. E, em 2019, tivemos um Brasileirão antes e outro depois do torneio continental de seleções. 

Série A3

O Noroeste vinha dominando completamente a Série A3 do Campeonato Paulista e teve o embalo cortado pela pandemia. É justamente para quem vivia grande momento que a parada pode ser negativa. Para aqueles que vinham mal é uma esperança. Em entrevista ao Jornal da Cidade, o diretor de futebol alvirrubro, Deda, lembrou que a parada atinge todos. É verdade. Ninguém treina coletivamente e nenhuma equipe deixará de ser afetada. Mas para quem já estava acertado e sobrando é mais danosa. O Noroeste se mostrava encaixado, dominante, com ritmo de jogo, o que é obviamente prejudicado. A parte coletiva de todas as equipes sofrerá uma regressão. Mas o time que já vinha tropeçando tem uma pausa para tentar se refazer. É chance de quem estava mal recomeçar. E é a obrigação de quem estava bem não permitir que o nível caia.

Paulistão

No Paulistão, entre os grandes, a paralisação foi pior para o São Paulo, único que mostrou alguma evolução recentemente. O Tricolor, aparentemente, dava sinais de que estava, enfim, conseguindo ser mais eficiente nas finalizações e crescia de rendimento. Embora o grande teste fosse o jogo contra o River Plate pela Libertadores, justamente o próximo compromisso da equipe no momento da paralisação do futebol pela Conmebol. É de se pensar se o time não perderá o bom conjunto que vinha sendo vislumbrado na retomada da temporada.

Para os outros três grandes do Estado a paralisação pode significar uma mudança de rumo. O Palmeiras vivia mais de suas "individualidades desequilibrantes" (um termo meio titês). O Santos ensaiava tornar-se um time mais regular. O trabalho de ambos é interrompido no momento no qual buscavam a transição de desempenhos e apresentações ainda irregulares para um futebol mais sólido e letal. Os técnicos Vanderlei Luxemburgo e Jesualdo Ferreira devem aproveitar o momento de confinamento para rever alguns pontos, recalcular e fazer ajustes. Possibilidades.

Mas foi para o Corinthians que a paralisação foi ideal. Mergulhado em uma crise técnica, sem resultados e com o técnico Tiago Nunes contestado, o time ganha a chance de virar a página. Uma pausa para respirar, fazer uma autocrítica e buscar soluções para problemas que impediram que seja realmente competitivo no nível que a torcida espera. É tempo para buscar compreensão e identificação com o sistema proposto pelo treinador e também para o técnico se decidir por qual formação vai usar, definir um time titular. Porque andava revendo conceitos e, aparentemente, fazendo testes a cada jogo em busca de seu 11.

Para as demais equipes do Paulistão, exceção do Bragantino, a interrupção envolve de maneira mais acentuada desafios também financeiros. Algo com o que o Noroeste, que tem situação delicada nesta área, também se preocupa. Como ficam os contratos dos jogadores? Voltando ao Paulistão, para ficar em um exemplo, o líder Santo André pode perder praticamente todo o elenco.

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