Bauru e grande região

 
Wagner Teodoro

Parecido com Paulistão

19/07/2020 - 05h00

A bola volta a rolar para valer em São Paulo a partir da próxima quarta (22). Depois de pouco mais de quatro meses, o Campeonato Paulista será retomado. E o que veremos: estádios vazios, uma competição restrita à praticamente a Capital e região metropolitana e com promessa de protocolos rígidos contra o coronavírus. Algo parecido com o Paulistão. A incógnita é como retornará o Estadual. Porque alguns times simplesmente não existem mais, já que elencos foram desfeitos. Se olharmos para o Rio de Janeiro, o exemplo do Flamengo é claro. O time mais encaixado do Brasil não foi exatamente o mesmo no reinício, principalmente nos jogos decisivos. Claro que pesou todo o impasse sobre a saída do técnico Jorge Jesus, que acabou mesmo regressando a Portugal. Mas por aqui como voltarão os quatro grandes?

Pelo menos para o São Paulo o Paulistão ganhou importância. E necessidade. É a última chance de título na desastrosa gestão do presidente Leco. Com as mudanças no calendário, qualquer outra taça que o Tricolor venha a levantar na temporada será sob comando do vencedor das eleições que ocorrem no final do ano. O projeto do clube é ganhar o Estadual, que na minha opinião é um campeonato viável. Dos quatro grandes era o que vinha em melhor fase no momento da paralisação. Era. E agora? Voltamos à principal indagação.

Ciente da exigência e oportunidade de conquistar um título, o técnico Fernando Diniz acena com apenas uma mudança. Pablo deve ser titular na vaga de Antony, que foi para o Ajax. Acredito que o time até melhore. Antony, ainda em formação, é habilidoso e talentoso, mas prende demais a bola, muitas vezes atrapalhando a sequência de jogadas de velocidade. Pablo é mais objetivo e já atuou pelos lados do campo antes - foi efetivado como centroavante justamente por Diniz na época de Athletico. Pato seguirá centralizado.

Adaptação

O Palmeiras não tinha ainda convencido e nem mostrado o que o técnico Vanderlei Luxemburgo ambicionou para a temporada. Uma equipe mais ofensiva, proativa, jogando no campo do adversário. Muito pouco disso foi visto até tudo parar. Agora, perdeu seu principal jogador, Dudu, que vai para o Catar. Dudu, que na cabeça do treinador seria meia. A adaptação do time sem o cara que foi referência nos anos recentes quanto tempo vai demorar? Luxa disse que "surgirá" um substituto. É plausível, mas isso não é do dia para a noite. Quando a situação apertava, era para Dudu que os olhares se dirigiam. Era a peça que resolvia. O Palmeiras segue forte, mas perde um fator de desequilíbrio, o jogador diferenciado, um líder em técnica e atitude e muito identificado com a torcida. O elenco permite os ajustes e vai ser mais uma corrida contra o tempo para se acertar no prazo de chegar forte a uma almejada final.

O Santos, a exemplo do São Paulo, vinha engrenando no momento da interrupção dos jogos. Após falta de sintonia entre o técnico Jesualdo Ferreira e o elenco, aparentemente as ideias e o jeitão do português, bem diferentes do técnico anterior, Jorge Sampaoli, estavam sendo assimilados pelos jogadores e o time evoluía. O quarteto Carlos Sánchez, Marinho, Soteldo e Eduardo Sasha, se voltar afiado, tem poderio para fazer a equipe acreditar em conquista. Além disso, o Santos é um dos poucos fora da Capital que vai mandar seus jogos em seu estádio. O clube andou jogando muitas vezes no Pacaembu (que vai passar por revitalização), o que é bom financeiramente, mas nem tanto na parte esportiva. A Vila Belmiro é onde o Santos é mais Santos.

Pré-temporada?

O Corinthians deve, na verdade, iniciar o ano. Ainda com reduzidas chances de classificação e remoto risco de rebaixamento, o Paulistão pode se tornar um torneio de "pré-temporada". Se não avançar, fará dois jogos que servirão para ter uma noção do estágio do time já pensando no Brasileirão, que começa em agosto. O primeiro deles um respeitável teste, o dérbi, quando recebe o Palmeiras. Foi o único dos quatro que se reforçou. Esperança de melhora, o time corre para registrar o ídolo Jô a tempo de participar do clássico. Tudo pode ocorrer, Jô engrenar, o time se classificar e brigar por título. Mas são apostas improváveis. Jô não disputa uma partida há sete meses, é um atleta de 33 anos, que deve ter o tempo necessário para ganhar ritmo de jogo sem queimar etapas.

Ler matéria completa