Bauru

Wagner Teodoro

Citizen Guardiola

23/05/2021 - 05h00

No próximo sábado (29), um time inglês sairá consagrado do gramado do Estádio do Dragão, no Porto, em Portugal. Manchester City ou Chelsea vai terminar a final da Liga dos Campeões com a posse da "Orelhuda" e deixar seu nome na história. Dois elencos estelares em campo, rivalidade local e, sobretudo, projetos de gestão parecidos e muito dinheiro. Um nome pode desequilibrar para os Citizens: Pep Guardiola. No duelo dos bancos com Thomas Tuchel aposto minhas fichas no catalão. Guardiola é gênio da concepção e dos resultados. Um teórico que aplica como ninguém seus conceitos e atinge metas com qualidade - um antídoto à corrente do simples futebol de resultados. Um cara que definiu paradigmas e influenciou diretamente a forma como o futebol é praticado hoje. Mudou o jogo. Tudo isso é garantia de título? Não. Mas é garantia de competitividade intensa, de competência, de alto nível. Nada diferente do que poderia se esperar em uma decisão de título de Champions League.

Tuchel é bastante capaz também. Vem de final na temporada passada com o Paris Saint-Germain e estabeleceu uma equipe extremamente sólida no Chelsea, com uma defesa muito forte. Curiosamente, desde que o alemão chegou a Stamford Brigde, encarou o City de Guardiola duas vezes e ganhou ambas. Porém, a situação e realidade agora são diferentes. Jogo único. Finalíssima. Aposto na experiência e sagacidade de Pep, que vem empilhando conquistas desde que pisou em Manchester - já são dez títulos. Acredito que fature o 11º.

"Primos pobres"

A final opõe dois clubes que têm coincidência (ou não seria coincidência?) em seus projetos. Manchester City e Chelsea passaram um século na sombra de irmãos gigantes. Os dois são uma espécie de primos pobres. Mas, atualmente, de pouco abastados não têm mais nada. É certo que ambos possuem tradição de sobra, são centenários e contam com torcidas fanáticas. Mas o City, fundado em 1880, sempre esteve na sombra do United, dois anos mais velho. O Chelsea, de 1905, era um coadjuvante no futebol londrino. O grande da capital da "Terra da Rainha" sempre foi o Arsenal, que surgiu 19 anos antes. City e Chelsea atravessaram o século passado com glórias pontuais, mas sobretudo marcados por jejuns e fracassos.

Tudo mudou neste século. Tanto o Chelsea quanto o City foram comprados por investidores estrangeiros. E foi com forte aporte do dinheiro vindo de longe que se tornaram potências financeiras e esportivas. E também por isso são contestados por uma ala mais raiz de admiradores do futebol. É certo que ambos contribuem substancialmente para a supervalorização de atletas que inflaciona o mercado e se volta contra os próprios clubes com suas posturas agressivas, que já foi alvo do "fair play" financeiro.

Mas estão inseridos em um cenário de extrema voracidade, onde os adversários são tão ou mais ricos. É um contexto do futebol europeu, polêmico e controverso, que culminou com a tentativa, frustrada, de fundação da famigerada Superliga pela elite da elite do futebol. Mas, se o dinheiro leva qualidade aos vestiários, não resta dúvida também da categoria de Guardiola em extrair o máximo de seus comandados e se sobressair em meio a outros times milionários. O treinador se mantém no topo há muito tempo, mas não se acomoda, busca inovar, reinventar, criar e aperfeiçoar sistemas e sua execução. É uma referência.

Roteiros parecidos

City e Chelsea desempenham papéis idênticos em roteiros parecidos. Robustos com o investimento internacional, primeiro o time de Londres decolou, ganhou campeonatos nacionais até chegar ao título da Liga dos Campeões, em 2012. O City repete justamente a trajetória. Acumula conquistas locais e vem perseguindo o sonho da taça continental. Chega à sua primeira final de Champions. O Chelsea está na terceira. Com a maestria do "Citizen Guardiola", que busca seu tricampeonato da competição, acredito que o azul celeste vai prevalecer e que os Blues sairão tristes do Estádio do Dragão. Só um palpite.

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