Bauru

Wagner Teodoro

Reclamar agora?

13/06/2021 - 05h00

Primeiramente, penso que não havia necessidade da Copa América ser realizada neste ano, neste período todo no qual o continente sul-americano (e o mundo) é massacrado pela pandemia de coronavírus. Independentemente de qual país fosse a sede. O torneio teve seguidas edições com datas próximas recentemente, banalizou sua disputa, e não seria nenhum prejuízo esportivo ser adiado para outra oportunidade. Mas as questões financeiras e comerciais falaram mais alto e vamos ter jogos. A partir daí, entra outra questão. O calendário fica complicado. É um ano no qual os clubes já atuaram a cada 48 horas. O correto seria paralisar todas as competições para que as seleções jogassem e nenhum time ficasse no prejuízo por ter jogadores convocados. 

Vai ocorrer isso? Não. A não ser que o Flamengo consiga reverter na Justiça o que parece se encaminhar para uma derrota em sua demanda de paralisação. Cedendo jogadores a várias seleções, o clube carioca pediu a suspensão imediata do Campeonato Brasileiro, argumentando que o Regulamento Geral das Competições, que prevê equilíbrio e igualdade entre os clubes, está sendo desrespeitado. Mas, no Superior Tribunal de Justiça Desportiva, a tendência, ao que parece, é ratificar a continuidade da disputa nacional em meio às partidas do torneio de seleções.

Tardiamente

Eu avalio que, pensando pela questão da isonomia, seria lógico, como eu disse, parar tudo. Como foi feito em 2019, ano em que o Brasil recebeu e foi campeão da Copa América. Desta vez, segue o jogo. Ou melhor, seguem os jogos do Brasileirão. Entendo também que a reclamação do Flamengo vem tardiamente. O calendário foi definido há muito tempo e era de conhecimento geral de dirigentes de clubes. Estava absolutamente claro que não haveria interrupção de partidas ao longo da Copa América.

A contestação teria que ser feita há mais tempo. O Flamengo peca pelo "timing". Primeiro, pleiteou junto à Confederação Brasileira de Futebol, que fez "ouvidos de mercador". Agora, recorre à Justiça para parar tudo. Não seria mais lógico e válido que a discussão sobre datas tivesse ocorrido há meses, com tempo para elaboração de novo calendário, se fosse a opção escolhida? Até porque outros clubes também foram e são desfalcados reiteradamente em situações idênticas.

O Flamengo se sente prejudicado e com razão. Perde atletas importantes. Mas, no fim das contas, o pedido de paralisação do time rubro-negro fica mais como uma maneira de marcar postura na guerra que o clube vem travando com a CBF há algum tempo. Além de ser uma maneira de dar uma satisfação ao torcedor flamenguista. O caso será julgado pelo Pleno do STJD na próxima quinta-feira (17) e vejo pouquíssima chance de sucesso do clube carioca.

Eurocopa

Enquanto isso, a bola rola na Eurocopa. Uma edição emblemática com um ano de atraso por conta da pandemia. Comemorativa aos 60 anos do torneio. A disputa está espalhada por 11 sedes pelo continente e o nível é altíssimo. Vejo França e Inglaterra como favoritas. Os franceses, atuais campeões do mundo, são a melhor seleção europeia na minha opinião. A equipe é a atual vice da Eurocopa e tem tudo para fazer outra final, com uma geração sensacional de jogadores que sabe o caminho das taças. Quem tem entrosamento, experiência e nomes do quilate de Pavard, Varane, Kanté, Pogba, Rabiot, Benzema, Griezmann e Mbappé é o time a ser batido.

A Inglaterra tem a chance de quebrar o jejum de taças que vem desde 1966, quando faturou seu único Mundial. A seleção tem talento de sobra, com destaque para o artilheiro Harry Kane, além de Phil Foden, Mason Mount, Marcus Rashford… É o elenco mais valioso da riquíssima competição. E, claro, impossível subestimar a renovada Itália, além das eternas, e com razão, candidatas Espanha (rejuvenescida) e Alemanha, as maiores campeãs do torneio, com três títulos cada. Bélgica e Portugal, atual detentor do título, também têm equipes competitivas. O campo vai dizer quem vai fazer a final no mítico Wembley no dia 11 de julho.

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