Bauru

Wagner Teodoro

Criatura e criador

27/06/2021 - 05h00

A semana começou com a confirmação do retorno do técnico Guerrinha ao Bauru Basket. Treinador e basquete masculino bauruense iniciam o terceiro capítulo de uma história que elevou e trouxe glórias, respeito e reconhecimento a ambos os lados. Trajetórias que, como destacou o próprio Guerrinha, se misturam. Em determinado momento, criatura e criador se desentenderam, romperam, um enredo que lembra Frankenstein, mas que, ao contrário do clássico de Mary Shelley, tem, agora, um desfecho feliz e a reconciliação, com arestas aparadas e um novo episódio por "escrever".

Guerrinha volta ao Dragão em momento desafiador. Não há comparação com o cenário em 2007 em seu regresso - após a primeira passagem ainda pelo Tilibra/Copimax, entre 1998 e 2003 -, quando o treinador retornou à cidade para criar um projeto do zero. Naquele momento, as dificuldades eram enormes e, aliado a um grupo de pessoas imbuídas do mesmo sonho, colocou planos em prática. A equipe foi nascendo e se firmando desta determinação de, primeiro, existir e, depois, crescer. Após cinco, seis anos, os frutos foram colhidos com a era mais vitoriosa da modalidade em Bauru, títulos, prestígio e a consolidação do projeto.

Desta vez, trata-se de continuidade de uma equipe estabelecida e forte. Pelo que se vislumbra, o elenco será competitivo. Mas o Bauru, por indefinições e surpresas que fogem ao controle de sua diretoria, como a saída do técnico Léo Figueiró, não foi um dos primeiros a agir no mercado, como fez na temporada passada. Além disso, houve inflacionamento e a montagem dos times está bem mais dispendiciosa do que em 2020. Algumas equipes, que se resguardaram financeiramente por causa da pandemia de coronavírus, voltam com tudo a negociar em busca de reforços e dispostas a gastar para consegui-los. E o Bauru Basket não tem um dos maiores orçamentos.

Gastar bem

A somatória dos fatores mostra um quadro que exige contratações meticulosas, gastando bem. O time, para brigar por títulos, terá que se mostrar maior do que o orçamento, já que é clara a limitação financeira do Bauru Basket. Os nomes que vêm sendo cotados são bastante interessantes. Se Alex Garcia, Larry Taylor e Gabriel Jaú tiverem suas renovações confirmadas e Rafael Hettsheimeir, Enzo Ruiz, Daviyon Draper, Dontrell Brite e Felipe Vezaro chegarem, há uma perspectiva de continuar relevante no cenário do basquete. E ter uma segunda unidade forte, capaz de dar descanso aos titulares, será fundamental, porque a equipe vai enfrentar uma desgastante maratona de jogos.

Guerrinha segue como um dos melhores técnicos do basquete brasileiro. Tem competência, experiência e identificação para comandar o time. É o melhor nome para dirigir a equipe em momento desafiador. Arremesso certeiro da diretoria na minha opinião. Equipe e técnico mostram profissionalismo, deixam para trás qualquer mal-estar que tenha ficado pela maneira como o profissional foi desligado em 2015 e abrem a perspectiva de novamente buscar se fortalecer e desafiar quem entrar cotado como favorito a títulos na temporada.

Não acredito

O técnico Aleksandar Petrovic cortou o armador Caio Pacheco e o pivô Cristiano Felício do grupo da Seleção Brasileira que vai disputar o Pré-Olímpico, na Croácia, tentando uma vaga nos Jogos de Tóquio. É a última chance de estar no Japão daqui a pouco mais de um mês. Do atual elenco com 13 atletas, entre eles Alex Garcia, do Bauru Basket, mais um jogador ainda será desligado antes do início do qualificatório.

Na preparação, a Seleção Brasileira ganhou dois amistosos da Polônia. Bom para possíveis ajustes finais, mas também não serve muito de parâmetro. A chave do Brasil no Pré-Olímpico tem a anfitriã Croácia, além de Tunísia, Alemanha, Rússia e México. Só o campeão se classifica. Não precisa nem dizer que é muito, muito difícil. Bastante improvável a vaga olímpica para o Brasil, que hoje tem dificuldade para se inserir em um segundo escalão mundial entre seleções nacionais. Certamente empenho e dedicação atrás do objetivo olímpico não vão faltar. Vou torcer, mas não acredito.

Ler matéria completa