Bauru

Wagner Teodoro

Quinteto de ouro

25/07/2021 - 05h00

O fogo sagrado queima, a pira foi acesa e começaram os Jogos Olímpicos. Momento de apreciar, desfrutar, da história sendo feita diante de nossos olhos. Cinco personagens parecem predestinados ao topo nas Olimpíadas japonesas e acompanhá-los será um privilégio e prazer. A principal candidata a grande estrela desta competição é Simone Biles. Talentosa, fenômeno, chega a Tóquio para entrar no rol dos deuses do Esporte. Ginasta mais condecorada da história dos Estados Unidos, do alto de 1,42m, seu gigantismo é tamanho que sua competição é consigo mesma. Na Rio-2016, o único aparelho que disputou onde não conseguiu o ouro foi a trave. Ficou com o bronze. Foram quatro medalhas douradas (salto, solo, individual geral e disputa por equipes). Desta vez, o desafio é se superar e ganhar todos os seus aparelhos, além do invididual geral e puxar sua equipe para o alto do pódio.

Biles é destes fenômenos que surgem de tempos em tempos no Esporte. Algo como Usain Bolt, Michael Phelps para citar dois "monstros" que se despediram nos Jogos realizados no Brasil. A ginasta é tão completa que impressiona até as adversárias. Tem uma combinação de força e técnica que propiciam execução com maestria de movimentos considerados extremamente perigosos e evitados por outras competidoras. Além de tudo, é carismática. Tem todas as condições de ser a "cara" de Tóquio-2020. O jeito é não perder a perfomance Biles, pois pode ser sua despedida olímpica aos 24 anos.

Falando em atletas fora de série, outro astro em ação na capital japonesa é o francês Teddy Riner. O judoca é tão dominante que ficou dez anos competindo no mais alto nível sem perder. Depois disso, foi derrotado duas vezes e viajou a Tóquio mordido para provar que segue como o homem a ser batido. No Nippon Budokan, o templo das artes marciais, o gigante de 2,04m, aos 32 anos, chega em grande forma. Perdeu cerca de 20 quilos e estará ainda mais ágil em comparação aos adversários.

Aliás, seu biotipo fez com que revolucionasse a categoria dos pesados. Uma mistura de força e velocidade que lhe garantiram a consagração. O Japão é o penúltimo capítulo de sua trajetória olímpica. Depois de ouro em Londres-2012 e Rio-2016 (tem ainda um bronze em Pequim-2008), o francês quer garantir o tricampeonato olímpico e fechar, perdão pelo clichê, com chave de ouro, em casa, em Paris-2024. Alguém duvida que consiga?

Golden Slam

O sérvio Novak Djokovic vive momento de auge em sua carreira. Soa até estranho buscar um ápice para um tenista que se mantém em alto nível há tantos anos. Mas, de fato, lidera o ranking mundial, acaba de igualar o recorde de 20 Grand Slams de Roger Federer e Rafael Nadal - parece mera questão de (pouco) tempo até superá-los - e tem a oportunidade de conquistar algo raro na carreira nesta temporada: o Golden Slam.

Se ficar com o ouro em Tóquio, onde é disparado o favorito, e ganhar o Aberto dos Estados Unidos, Djoko vai igualar o feito único da alemã Steffi Graf, que faturou o Aberto da Austrália, Roland Garros, Wimbledon e o Aberto dos Estados Unidos e foi campeã olímpica nos Jogos de Seul na mesma temporada, em 1988. Jogando o fino da bola, em estado de graça, Djokovic está muito próximo desta consagração. Já são três Slams em 2021.

Consagração na água

A piscina de Tóquio deve coroar dois nadadores dos Estados Unidos como superastros das águas. Katie Ledecky, fenômeno que ganhou seu primeiro ouro aos 15 anos em Londres-2012 (no Rio, foram cinco pódios, quatro medalhas douradas e uma prateada), chega ao Oriente já do alto de um patamar sem precedentes na natação feminina. Além de premiações em Olimpíadas e Mundiais, a atleta mostra uma supremacia assustadora sobre as adversárias e parece rivalizar apenas com o tempo para baixar marcas e estabelecer recordes. Já é uma das maiores da história do Esporte e deve deixar a capital japonesa consagrada como lenda viva.

Caeleb Dressel é apontado como o "novo Phelps". E ele chega com ambições parecidas com a do maior nadador de todos os tempos: conquistar seis ouros em Tóquio, contando provas individuais e revezamentos. Explosão, controle emocional, determinação, técnica e uma genética privilegiada o credenciam a colocar seu nome em um seleto grupo de multimedalhistas, que tem, além de Phelps, os compatriotas Mark Spitz e Matt Biondi.

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