Bauru

Wagner Teodoro

Tiro curto para duelo do ano

27/03/2022 - 05h00

O Noroeste encerrou em grande estilo a excelente campanha na primeira fase da Série A3 do Campeonato Paulista de 2022. Neste sábado (26), a goleada por 4 a 1 sobre o Capivariano foi o desfecho ideal para a consistente trajetória da equipe na fase de classificação, onde garantiu a vice-liderança geral. Mais que isso, o jogo ainda mostrou que o técnico Luiz Carlos Martins vai poder contar com retorno de jogadores importantes para a sequência decisiva que vem aí. Vimos Blade e Diogo, por exemplo, novamente em ação. Leleco deve voltar logo também. São caras, entre outros, que podem fazer diferença no quadrangular que se avizinha.

Após uma curta pré-temporada e muitos problemas com lesão ao longo da primeira fase, o Noroeste mostrou força e competência para conseguir regularidade e terminar com as marcas de 30 pontos, nove vitórias, três empates e três derrotas. Nada mal para um time que chegou a ter que completar elenco com jogadores da base em alguns jogos. Não por opção, mas por necessidade em função de elenco curto e desfalques importantes.
Porém, ao mesmo tempo em que comissão técnica e elenco corresponderam nos momentos difíceis, a diretoria agiu e conseguiu contratações fundamentais para credenciar o Noroeste a um protagonismo na disputa pelo acesso. Ao longo da A3, chegaram jogadores como Marco Goiano, Jefferson Alves, Pereira e Luiz Thiago, que elevaram o nível da equipe. Reforços que somam em quantidade e qualidade. Finalmente, o grupo ganhou mais profundidade para alívio de Martins e esperança de todos noroestinos. Outra boa notícia, reitero, é o retorno no melhor momento possível de quem estava no departamento médico.

Hora do quadrangular

Na derradeira rodada da fase inicial Votuporanguense e União Suzano garantiram as últimas vagas para os quadrangulares. Ambos, aliás, vão se enfrentar em busca de classificação para as semifinais em grupo que tem ainda o líder Comercial e o São José. Na outra chave, a que interessa aos torcedores alvirrubros, o Norusca tem companhia do arquirrival Marília, além de EC São Bernardo e Capivariano. Teremos mais dois clássicos regionais e em fase decisiva. Emoção é pouco.

O Noroeste entra no tiro curto, que vale a semifinal - seria a disputa do ano, já que o acesso se define nesta fase e a final é a "cerejinha do bolo" - cotadíssimo para ficar com uma das duas vagas em jogo. Sim, vale a máxima de que "agora é outro campeonato". São 540 minutos (jogos em turno e returno dentro do grupo, avançando os dois melhores colocados), uma competição em tiro curto, com pouca margem de recuperação. Todos os fatores contarão mais do que nunca: técnicos, táticos, físicos e psicológicos.

Futebol é mestre em aprontar e contradizer previsões, mas acredito que Noroeste e Comercial estarão nas semifinais. No grupo alvirrubro, penso que Marília e EC São Bernardo disputam a outra vaga. São José, arrisco, deve avançar também. Isso se o Votuporanguense não aprontar. Resta saber se o que será escrito entre as quatro linhas dos gramados vai corroborar meu vaticínio aqui.

Potência em crise

Uma seleção multicampeã, potência mundial, que vai chegar a 20 anos sem títulos da Copa do Mundo, vive crise, contestações e cobranças. Tem grandes craques, mas tenta recuperar seus melhores dias como equipe. Tudo se encaixa na descrição com o Brasil. Mas não é da Seleção que eu falo, é da Itália. A Azzurra, que vive um tormento "sem fim", teve a impressão de que atingira a redenção com o título da Eurocopa em 2021. Mas tudo foi praticamente um devaneio, uma fuga onírica, como em um roteiro de Fellini, e a realidade foi dura em um despertar doído. Derrota para a Macedônia do Norte (!), em casa, e mais uma vez ausência no Mundial.

A crise da Itália é mais longa do que a atual eliminação. A última vez que a Azzurra esteve em um mata-mata de Copa foi em 2006, ano que levantou a taça, na Alemanha. Depois, foi só vexame atrás de vexame. Defendendo seu título, caiu na fase de grupos em 2010, na África do Sul, e repetiu a dose no Brasil, em 2014. Rodou nas Eliminatórias e não foi à Rússia, em 2018. Vai completar, no mínimo, 20 anos sem o caneco. E mais, serão pelo menos 12 anos longe da Copa. Toda uma geração de jogadores talentosos "perdida".

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