Bauru

Wagner Teodoro

Os mesmos favoritos

10/04/2022 - 05h00

O Campeonato Brasileiro deu a largada para as 38 rodadas que vão apontar o campeão em novembro e começa com jeitão de reprise de sessão da tarde. Os atores da "película" representando papéis idênticos ao filme do ano passado. Temos três claros favoritos, com sutis alterações em seus status de uma temporada para outra: Atlético-MG, Palmeiras e Flamengo.

O Palmeiras vai se tornando o time a ser batido. Bicampeão da Libertadores, elenco vasto e profundo, time ajustado e completamente adaptado aos esquemas do técnico Abel Ferreira, continuidade de trabalho... São vários e decisivos fatores que determinam a condição de postulante à taça. Além disso, o Alviverde tem um grupo testado em momentos decisivos, que responde bem.

O Atlético-MG, atual campeão, chega fortíssimo para defender seu título. O clube se reforçou e qualificou ainda mais seu elenco, que já era muito acima da média nacional. Tem jogadores decisivos. Possui um treinador, Turco Mohamed, que ainda está em começo de trabalho, talvez a única desvantagem em relação ao Palmeiras, mas o princípio de trajetória tem sido promissor. O Alvinegro se mantém em alto nível. Deve ser o principal adversário palmeirense na briga pelo caneco.

A análise é baseada no momento. Hoje, o terceiro protagonista, o Flamengo, está abaixo de Atlético-MG e Palmeiras. Apesar de ter um elenco indiscutível, de altíssimo nível para os padrões sul-americanos, aparentemente o trabalho do português Paulo Sousa não deu liga, pelo menos por enquanto, com as estrelas rubro-negras. Aliás, o treinador sofre bastante pressão e é contestado. Quanto tempo até a situação se ajeitar no clube com Sousa ou sem ele? Eis a questão: se o Flamengo demorar demais a se arrumar, talvez não tenha fôlego para alcançar alvinegros e alviverdes.

Outros paulistas

Com o recorte atual da temporada, São Paulo, Santos e Corinthians não entram no Brasileirão na condição de favoritos. O Tricolor, eu penso, pode brigar por G4. O time evoluiu muito desde o início do ano, ganhou alternativas, garotos da base corresponderam e o técnico Rogério Ceni sinaliza que vai priorizar o Nacional. Se o treinador conseguir minimizar a oscilação da equipe e extrair intensidade ao longo das rodadas, o São Paulo briga em cima.

O Corinthians começa a competição mergulhado em gravíssima crise, com um time que, aparentemente, não consegue impor a intensidade que o técnico Vítor Pereira pretende implantar. Até pela alta média de idade dos principais jogadores. As cobranças acabaram se tornando ameaças a medalhões do grupo, o que pode desestabilizar ainda mais a equipe. Se o treinador realmente insistir em estabelecer o estilo de jogo idealizado, terá que rodar o elenco e os jovens precisarão dar resposta em campo. Com todos os veteranos dificilmente o time vai ter a postura almejada.

O Santos entra sob desconfiança geral. O clube brigou para não cair no Paulistão (de novo) e deixa a torcida apreensiva pelo destino no Brasileirão. Chegaram reforços, mas nenhum nome que seja unanimidade. Podem fazer a diferença? Sim. Podem chegar e se encaixar no sistema do técnico Fabián Bustos e mudar o status santista. Aliás, o treinador indicou os nomes, são atletas que ele conhece. Pelo atual cenário, o Santos briga por meio de tabela e bem atento ao rebolo para não entrar na areia movediça da zona de rebaixamento. A esperança santista é por evolução para buscar objetivos maiores.

Sotaques em campo

O Brasileirão 2022 é o mais internacionalizado da história. Tem recorde de técnicos estrangeiros e uma legião de jogadores de outros países. São 74 no total, com destaque para uruguaios (16), argentinos (15) e colombianos (14). Mas é à beira do gramado que chama a atenção a presença de nove comandantes de outras nacionalidades. São quatro portugueses, três argentinos, um uruguaio e um paraguaio.

Quantos conseguirão desenvolver seu trabalho, colocar suas ideias em prática, em um ambiente voraz e imediatista como o futebol brasileiro? Dos quatro portugueses, Abel Ferreira (Palmeiras), Paulo Sousa (Flamengo), Vítor Pereira (Corinthians) e Luís Castro (Botafogo), dois deles, o corintiano e o flamenguista, já estão pressionados e não sei, não, se terminam o campeonato nos atuais clubes.

 

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