Bauru

Wagner Teodoro

Hegemonia brazuca à prova

31/07/2022 - 05h00

Chegam as quartas de final dos campeonatos continentais e, tanto na Libertadores quanto na Copa Sul-Americana, a hegemonia brazuca está à prova. Os clubes brasileiros vêm dominando o pedaço, enfileirando títulos e, mais uma vez, surgem como potenciais candidatos a erguerem os dois troféus.

E vale uma observação: as quartas de final são aquele estágio do mata-mata onde já não há o que escolher ou lamentar. Seja qual for a modalidade ou o campeonato, é raríssimo pegar um confronto tranquilo nesta etapa da competição. As quartas, geralmente, são quando só os "graúdos" ficaram na peneira.

E na Libertadores temos quartas que geram grande expectativa. Sobretudo por clássicos nacionais. E também porque a edição de 2022 se tornou um duelo Brasil x Argentina. Só restaram equipes dos dois gigantes na disputa.

Obviamente que para nós, brasileiros, os embates nacionais são o que chamam mais atenção. Eu tenho enorme expectativa para Palmeiras x Atlético-MG. Há algumas semanas, eu apontaria sem dúvida o Alviverde como favorito - não disparado. Agora, algo importante mudou. A troca na direção técnica do Alvinegro torna o cenário mais nebuloso. O duelo ganha ares de maior imprevisibilidade ainda.

Cuca tem estilo de comando diferente de Turco Mohamed e seus times possuem maior intensidade do que o Atlético-MG do argentino mostrava. O Palmeiras de Abel sabe jogar mata-mata e tem uma defesa muito consistente. Acredito em um duelo tenso (é revanche do ano passado), de poucos gols. Não há absolutamente favorito, mas creio que quem se classificar será um dos finalistas. Na chave ainda estão os perigosos Athletico e Estudiantes, outro encontro que promete. Mas independentemente de quem avançar, penso que cairá na semifinal para paulistas ou mineiros.

Outra chave

Do outro lado, Corinthians x Flamengo gera igual expectativa do choque entre palmeirenses e atleticanos. Alvinegro e rubro-negro são duas equipes com muito recursos. Eu acredito em leve favoritismo para os cariocas em função da qualidade do meio-campo para frente. É muito talento reunido. Ainda mais com reforço de Everton Cebolinha. Além do mais, a defesa se tornou mais segura com Dorival Júnior.

O Corinthians tem justamente como trunfo seu fortíssimo sistema defensivo. Além de qualidade e obediência táticas. Mas precisará de gols, a não ser que esteja disposto a repetir o que fez contra o Boca Juniors. Fechar a casinha pode não ser suficiente e será necessário que caras como Willian, Róger Guedes e Yuri Alberto façam diferença.

Eu arrisco dizer que o Flamengo tem favoritismo e, assim como do outro lado, avalio que passará pela semifinal, enfrentando Vélez Sarsfield ou Talleres.

O campo é cruel com vaticínios e o futebol é, por si, um esporte extremamente imprevisível. Mas há forte possibilidade de uma final brasileira mais uma vez - a terceira consecutiva. Se eu fosse apostar, apesar de completamente impossível cravar qualquer favoritismo entre Palmeiras e Atlético-MG, arriscaria em palmeirenses e flamenguistas na decisão.

E na Sula?

Na Copa Sul-Americana eu penso que é totalmente possível uma decisão de título 100% brazuca também. Quem sabe um São Paulo x Internacional? Vejo o caminho dos são-paulinos até uma final bem mais complicado do que o dos colorados. O Tricolor tem um duelo de alta periculosidade com o Ceará - melhor campanha - nas quartas. E o time de Rogério Ceni vem desgastado e com problemas de desfalque.

Caso se classifique, terá pela frente, muito provavelmente, o Nacional, que, creio, passa pelo Atlético-GO. Aliás, o time uruguaio se reforçou com ninguém menos do que Luis Suárez. Imagine que duelo. Duas camisas tradicionais e pesadas e a atração de Luisito em campo. Acredito que o São Paulo precisará priorizar a Sul-Americana logo. Sendo assim, apostaria em uma vaga na final.

O Inter deve passar pelo peruano Melgar. A sequência é contra o equatoriano Independiente del Valle ou o venezuelano Deportivo Táchira. Em tese, um trajeto mais suave até a decisão. E o oponente pode ser o São Paulo. Vamos ver o que a bola vai determinar em ambos os continentais.

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