Bauru

01/06/2021 - 05h00

Sem cestas

O contrato entre a Prefeitura de Bauru e a Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis de Bauru (Ascam) ainda não foi oficialmente rescindido e a administração municipal já informou a entidade que, a partir do próximo mês, não entregará mais cestas básicas aos cooperados. A orientação do Executivo, agora, é para os beneficiados procurarem o Cras, em caso de necessidade. A informação é da presidente da Ascam, Gisele Moretti. Ela lembra que o Cras tem dificuldade em atender a toda a demanda.

Ato político

Segundo Gisele, a cessão das cestas não está prevista em contrato, mas nunca deixou de ser feita. Para ela, essa posição da chefe do Executivo, Suéllen Rosim (Patriota), é essencialmente política. Sendo assim, deveria focar exclusivamente nela e não nos cooperados, que não podem ser penalizados pela situação, defende. Sobre o assunto, a Prefeitura de Bauru informa que "fez a revisão do contrato com a Ascam, onde detectou algumas inconsistências, de acordo com parecer jurídico, e notificou a entidade do encerramento do convênio. A partir de junho, o cooperado em situação de vulnerabilidade social deverá fazer o cadastro em um Centro de Referência de Assistência Social (Cras), da Sebes. Sendo constatada a necessidade, a pessoa receberá a cesta básica através do Cras".

Reforma

Iniciado pela vereadora Estela Almagro (PT), o debate sobre a atuação da Igreja Evangélica Rasgando os Céus na reforma da UPA Ipiranga, anunciado neste domingo (30), pela própria igreja teve envolvimento de vários vereadores e repercutiu inclusive fora do Legislativo. Como o anúncio foi feito em rede social e com pedido de apoio financeiro não só aos fiéis, mas à população, Estela ponderou a necessidade de avaliar a iniciativa para evitar problemas, inclusive legais, através da divulgação sobre o que será feito, qual é o projeto, quais são os custos, se está avaliada pela Secretaria de Saúde e qual a participação da prefeitura.

Favorável

O Coronel Meira (PSL) foi incisivo ao afirmar que o município não tem dinheiro para as reformas, então apoia a iniciativa da entidade religiosa. "Eu prefiro que uma igreja reforme a UPA, senão daqui a pouco vamos ter dono de biqueira reformando o UPA". Biqueira, na gíria policial, é o local de venda de entorpecentes. O presidente da Câmara, Markinho Souza (PSDB), ponderou que toda ajuda ao poder público é bem-vinda, mas que a forma como foi divulgada a reforma pela igreja, com arrecadação direta de recursos entre a população, gerou a necessidade de que o assunto seja melhor esclarecido.

Repercussão

O Conselho Municipal de Saúde deve se reunir extraordinariamente para avaliar a situação. A dúvida, que é jurídica, é se pode uma igreja reformar um prédio público.

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