Bauru e grande região

Tribuna do Leitor

Um suspiro e... adeus!

por Ex-acadêmico João Álvares, da Associação Paulista de Imprensa

11/08/2019 - 06h00

Há um tempo para chegar...

E também para partir...

Os grandes pensadores, sejam ocidentais ou orientais, remotos ou contemporâneos, coincidem em pontos essenciais. Tudo é fugaz. Tudo é passageiro. Nada perdura. A essência da condição humana é a fragilidade, a transitoriedade. Aquilo que se ergue acaba derrubado. A construção, apenas antecipa a destruição. O que nasce morre... Nascemos quando fomos empossado para a "ABL" através da minha madrinha e saudosa, Celina Alves Neves, e morremos quando por motivos óbvios, deixamos a Academia Bauruense de Letras. Mas isso faz parte da nossa existência neste mundo de Deus...

A angústia dos homens, ao longo dos tempos, reside exatamente na resistência à ideia de que tudo é precário. A ilusão maior da humanidade cabe numa frase: o que é bom há de perdurar para sempre...

Talvez a missão mais vital dos pensadores, eternos amigos das noites escuras e frias, seja a de nos preparar para a aceitação de que tudo tem um fim. Os golpes são amortecidos quando você não é surpreendido por eles, escreveu, Sêneca, o sublime estóico romano. Na hora da morte, que Montaione disse tratar-se da ocasião que define a estatura moral da pessoa Sêneca demonstrou coragem extraordinária. Se tivesse fraquejado, suas palavras não ganhariam a eternidade e não inspirariam na posteridade, gênios como o nobre francês, Montaigne. Aceitar os fatos, como nós aceitamos. Não se agastar contra eles. Encarar com serenidade e coragem o inevitável fim das coisas, com diferentes palavras você encontra tais conceitos em todo filósofo relevante. E, no entanto, parecemos condenados a recusar o fim, o que apenas eleva a carga de sofrimentos e aflição. Milarepa, o sábio tibetano morava perto de um cemitério para jamais esquecer que a morte o aguardava.

Os romanos tinham um ditado com o mesmo objetivo: Momento more, que significa; lembre-se de que vai morrer... Mórbido? Não! O oposto. Vive-se melhor quando se aceita que tudo tem um tempo para acabar. E é filosoficamente resignado que escrevo minhas derradeiras palavras sobre este assunto (ABL) da qual me despeço como ex-acadêmico, para me converter a distância em um admirador e torcedor da mesma...

Uma nova etapa na minha carreira de jornalista - Delegado Regional da Associação Paulista de Imprensa - trouxe-me uma grande alegria e esperanças para o futuro... Foi uma imensa alegria fazer parte do time dos intelectuais da "ABL", uma Academia desde o berço afinada, como que em alemão quer dizer; Zeitgois. Zeitoeist, o espírito do tempo. Em dias de ansiedade crescente, a ABL, oferece uma luz e uma esperança de que, não tem que ser assim. Podemos e devemos relaxar mais.

Podemos e devemos levar as coisas e a nós próprios, menos a sério. Podemos e devemos entender que a resposta para nossas questões está no final das contas, em nós mesmos... E que todo o dinheiro do mundo não compra o bem mais precioso que existe, a tranquilidade da alma.

A ABL jamais de afastou dessas mensagens, tão importantes e fundamentais. Por isso é aconchegante como a lembrança de nosso quarto de criança... E é também por isso que o momento de despedida que trás agora, reflete um suspiro tão demorado...

Aos meus amigos da ABL, sejam felizes com a missão que lhes foi destinada; sejam realmente imortais!!!...

A ABL, entidade que agrega homens altamente qualificados dentro do conceito da Literatura.

Fiquem com o Grande Mestre do Universo e até a próxima, se assim Ele permitir!...

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