Bauru e grande região

Tribuna do Leitor

A emoção de se sentir pai...

por Carlos R. Ticiano

11/08/2019 - 06h00

Sentado em um banco da praça, olhando a garotada jogar bola, Alberto deparou-se com um garoto assustado, quase chorando vindo em sua direção. Apreensivo indagou: o que aconteceu garoto? Meu periquito! Meu periquito fugiu! Calma, respondeu Alberto! A praça tem muitas árvores, quem sabe ele não voou para cá. Vamos lá, vou lhe ajudar a procurá-lo.

Andando por entre as árvores, um gralhar característico de um periquito, chamou a atenção do garoto. Olha lá! Olha lá o periquito tio! Sobe na árvore e pega ele pra mim! Neste momento, Alberto, um homem de meia idade, até pensou em arrumar uma desculpa, mas desistiu e resolveu encarar a missão. Agarrando aqui, subindo ali, conseguiu chegar próximo do galho e resgatar o periquito.

De volta à terra firme, ao tentar entregar o periquito para o garoto, este exclamou: vem comigo tio, que eu tenho medo que ele escape de minhas mãos. Diante de tal pedido, Alberto não hesitou e lá foram eles como pai e filho. Segurando na mão do garoto, sentiu naquele momento a emoção de ser pai, uma vez que, por não ser casado, não desfrutara do prazer de ter um filho. Durante o trajeto, Alberto perguntou: qual o seu nome garoto? Carlinhos, respondeu!

Chegando a sua casa, Carlinhos foi abrindo o portão e chamando o para entrar. Espera aqui na sala tio, que eu vou buscar a gaiola. Sentado no sofá, foi surpreendido com a chegada de uma mulher atraente e muito bonita, que se apresentou como Helena. Muito prazer, respondeu Alberto! E antes mesmo que pudesse dizer mais alguma coisa, Carlinhos voltou com a gaiola e disse: Tio, esta é minha mãe! Meio sem graça, passando a mão sobre a cabeça do garoto, explicou em poucas palavras, o que havia acontecido na praça.

Helena agradecida exclamou: vou buscar um cafezinho. Durante a conversa, pediu desculpas a Alberto, pelo trabalho que teve no resgate do periquito. Acrescentando que Carlinhos sente muito a falta de um pai nessas ocasiões. Alberto até pensou em fazer algumas perguntas, mas desistiu, percebendo não ser o momento propício. Mas interessado na história, se prontificou em voltar, com o pretexto de orientá-lo como cuidar de um periquito.

Sensibilizado com tudo que aconteceu, Alberto saiu imaginando como seria ter uma família, uma esposa e um filho com a idade de Carlinhos e poder ensiná-lo a andar de bicicleta, jogar bola, e a empinar uma pipa. Alguns dias depois, no supermercado, Alberto encontrou-se com Helena e não perdeu a oportunidade de perguntar pelo garoto. Está bem, respondeu Helena! Carlinhos sempre pergunta por você. Aparece lá, qualquer dia desses!...

Seu convite soou como uma oportunidade de conhecê-los melhor. Afinal, alguma coisa dizia para Alberto que daquele relacionamento poderia nascer uma grande amizade, ou algo mais, como seu coração desejava e tinha esperança que acontecesse.

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