Bauru e grande região

Tribuna do Leitor

Getúlio Vargas

por João Francisco Tidei Lima - professor aposentado

25/08/2019 - 06h00

Neste sábado, 24 de agosto, exatos 65 anos atrás, a maioria do povo brasileiro chorava a morte do então presidente Getúlio Vargas.

Durante a chamada República Velha, entre 1889 e 1930, as poderosas oligarquias rurais governavam o Brasil como se ele fosse uma grande fazenda. Tudo era canalizado em favor da economia agroexportadora.

Não havia voto secreto, as mulheres não votavam, também estavam excluídos os analfabetos, os soldados, os religiosos em regime de claustro e os menores de 21 anos. Num universo de 30 milhões de habitantes, somente 2,3% votaram na derradeira eleição presidencial da República Velha em março de 1930.

Com a Revolução de 1930, que teve como líder civil Getúlio Vargas, o quadro se modificou. As oligarquias tradicionais não foram, por assim dizer, inteiramente banidas como suportes do poder. Só que no Brasil pós-30 elas tiveram que coexistir com outros segmentos sociais, a saber, a incipiente burguesia industrial, as classes médias urbanas, o operariado...

Vargas cortejou e fez concessões às massas (criação do Ministério do Trabalho, da Justiça do Trabalho, do salário mínimo, mais jornada de 8 horas, regulamentação do trabalho das mulheres) em troca do seu apoio para remover o poder monolítico das oligarquias tradicionais.

Como lembra o historiador Eric Hobsbawm, diferentemente do que aconteceu na Europa nos anos 30, onde as ditaduras de Hitler e Mussolini destruíram os movimentos trabalhistas, na América Latina líderes como Vargas e o argentino Perón os criaram.

Em outubro de 1945 Vargas foi deposto pelas Forças Armadas, mas nas eleições de dezembro seria eleito senador por dois Estados, e deputado federal por sete. Na eleição presidencial de 1950, voltaria ao poder, governo populista e nacionalista, entre 1951 e 1953 o envio e a promulgação da lei criando a Petrobras, desafiando os trustes norte-americanos.

Em 24 de agosto de 1954, quando Getúlio Vargas se suicida, sua popularidade explode em raiva e desespero popular, e, como afirma a historiadora Ângela de Castro Gomes, "o povo volta a sair às ruas, chora e ataca os inimigos do presidente, mantendo-o vivo na memória, como, aliás, ele havia desejado".

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