Bauru e grande região

Tribuna do Leitor

MEU ENCONTRO COM EDSON CELULARI

por Paulo Neves - O autor é diretor de Teatro há 51 anos

25/08/2019 - 06h00

Tranquilo, saudosista, singelo, ético, bonito, olhar tranquilo, cheio de fé e confiança, homem de recordações e análises, lembramos os tempos em que os empresários bauruenses ajudavam as artes, principalmente o teatro. Os tempos eram outros, estávamos em plena ditadura militar (???), mas é isso aí, valeu, meu grande amigo Edson Celulari!

Esse encontro foi possível graças à TV Cultura, no dia 31 de julho, quando fui convidado para a gravação do programa Persona em Foco, que vai ao ar de 15 em 15 dias pela Cultura, às quintas-feiras, 23 horas.

O produtor do programa, Eduardo Acaiabe Filho, levou o ator Hélio Cicero, companheiro de Edson na turma da EAD - Escola de Arte Dramática - e este que escreve esta carta para o programa.

Edson Celurari foi fruto de uma Oficina de Teatro, dentro do curso Preve-Objetivo (sou do tempo em que escolas particulares agregavam seus alunos através de uma Oficina de Teatro).

Lá estavam 32 alunos, entre eles Gilson Ribeiro, que durante muitos anos foi repórter da TV Globo e Bandeirantes; Gilberto Maringoni, que desenhou um dos cartazes mais bonitos que vi nestes 51 anos de carreira, professora Terezinha Pinto, professora Sonia Castelar, engenheiro Álvaro Cunha e muitos outros, todos queridos, sempre!

Estreiamos em 11 de novembro de 1974 e ficamos durante 4 dias no ex-cine BTC - sempre lotado (Bauru ja teve um cinema cult, a cidade já teve alguma coisa cultural diferente, inclusive o I Festival de Cinema Nacional, no cine Vila Rica, na administração do saudoso e grande Oswaldo Sbeghen). O grande incentivador da ideia da Oficina de Teatro era o professor Gerson Trevisani, Duda, ele encampou a minha ideia e vencemos.

Primeira peças de Edson Celulari foi "Errare Humanun Est", que escrevi e dirigi, escrevi mais uma, "Com Falar De Amor", com Edson e Mariangela, e lá foi ele para São Paulo, EAD, TV Tupi, TV Globo e passagem pela TV Bandeirantes, sucesso em novelas e no cinema.

Edson agora quer ser diretor de cinema e neste semestre começa a dirigir um filme, sabe muito das coisas, foi para Nova York, fez curso de cinema e agora vai colocar na prática.

Lutou contra um câncer durante um ano e venceu. Está forte, tranquilo, sereno não esquecendo de suas referências (pena que "suas referências" esqueceram dele, assim como esqueceram de Mauro Rasi, um dos 100 melhores e maiores dramaturgos do Brasil do século XX).

Deles não temos nada registrado ou guardado, nem um título, nem uma menção, nem uma casa a não ser um teatro que não é usado, mas tem seu nome, lá na rua Rubens Arruda.

Um ser grandioso, sempre, um coração simples, um homem do bem, vencedor, um ser iluminado, tranquilo como os grandes atores da vida e do palco. Reverencio você, meu grande amigo, e agradeço à TV Cultura pelo encontro.

Pena que a vida seja tão curta!

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