Bauru e grande região

por Alex Martins Pereira

11/09/2019 - 06h00

Embarcação à deriva, bailávamos no compasso de tempestade, oceano contraia, parecia rejeitar o toque com o casco, brusco descer que causava arrepios, logo, subíamos de maneira desajustada, inclinada, com o inspirar do mar. Insistentes acordes do ranger da madeira e estalos das trincas, havia saudade da valsa de um navegar pacífico.

Encharcados pelo esforço do agarrar misto ao tocar de ondas sonoras, com peso e frio. A algumas milhas de distância do continente, mas o véu da tormenta distorcia visibilidade e as estrelas.

Lançados a um tom grave de um vale, cercados por montanhas aquosas e negras, notas desfavoráveis criavam volume, éramos frágeis perante ao maestro, já compunham o arranjo da última nota. Surge um mistério no ápice de um dos morros da turbulência, com contorno humano, brilho ofusca, serena a partitura, os fluídos alinham, nivelamos fisicamente, caminha até nós. - Mas como, meu Deus? Nuvens pesadas se afastam retorna o luar.

Soa um grito de incredulidade, com desespero de certificar realidade: - Quem és? Incapaz de aguardar resposta, ouso o socorro para o provável autor do prelúdio da calmaria: - Me tire daqui! Atende o solo. - Venha até mim, Pedro!

Impulsivo, pouso os pés no reflexo, deformo nitidez da imagem, uma indescritível resistência das águas ou leveza corporal, me sustentam uns passos.

Devo estar na tocata dos sonhos ou em sonata fúnebre, pensamentos são tomados pelas profundezas, medo, isso draga minha crença do possível, inunda minha coragem, desço de forma hidráulica, com suplicas de temor. Neste instante aproxima-se, estende mãos luminosas, entoa: - Fortaleça sua Fé.

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