Bauru e grande região

Tribuna do Leitor

Criança: amor e fantasia

por Aziz Neme

06/10/2019 - 06h00

Se fosse ensinar a uma criança a arte da leitura, não começaria com as letras e as sílabas. Simplesmente leria as estórias mais fascinantes que a faria entrar no mundo da fantasia. Aí então, com inveja dos meus poderes, ela desejaria que eu lhe ensinasse o segredo que transforma letras e sílabas em estórias encantadoras.

É muito simples. O mundo de cada pessoa é pequeno. O que dá nas crianças o desejo de aprender é a curiosidade, pois elas têm sensibilidade toda especial. Perguntaram-me: - O que fazer para criar o hábito da leitura na criança? Respondi: - Nada. Não se deve criar o hábito da leitura; Hábito tem a ver com o cortar das unhas, tomar banho etc.

Hábitos são automáticos. Um homem pode ter o hábito de dar um beijinho na mulher ao sair de casa estando com o pensamento muito longe dela. O prazer da leitura? Quem pensará que leitura dá prazer quando ela é obrigatória? A criança gosta de aprender, especialmente se não for lição de casa. Conheço um ditado que diz: "É fácil levar a égua até o início do ribeirão. O difícil mesmo é obrigar a égua a beber água".

O que há de se fazer é ensinar as crianças a amar os livros, pois ler é uma das maiores fontes de alegria. Livros são as portas para o mundo. Pela leitura vivemos experiências que não foram nossas e então elas passam a ser nossas. Assim, lemos as estórias de um grande amor e experimentamos as alegrias e dores de um grande amor. Lemos estórias de batalhas e nos tornamos guerreiros de espadas na mão, sem os perigos das batalhas reais. Viajamos ao futuro e nos transportamos para mundo que não existe. Lemos as biografias de pessoas que lutaram por causas nobres e bonitas e nos tornamos seus companheiros de lutas.

Lendo, fazemos turismo sem sair do lugar. Isso é muito bom e gostoso. Coisas extremamente simples acham-se um lugar imortal no coração da criança. Elas dizem coisas maravilhosas e deliciosas: "O menino visitava a fazenda pela primeira vez. De manhã, todos ao lugar onde se fazia a ordenha das vacas, o leite jorrava espumando das tetas do manso animal. Todos bebiam o leite quentinho e chegando a vez do menino, ele recusou o copo de leite e começou a chorar: - Não quero leite de bicho, quero tomar leite de saquinho".

"Andréa é o nome da menininha de 4 anos. Entrou para a creche. Ao fim do primeiro dia a mãe perguntou: - Como é a professora? Andréa respondeu: - Ela grita". A criança, além de enfeitar a nossa vida proporcionando muita alegria e orgulho; a infância tem ainda outra utilidade: Nós não nascemos aqui na Terra senão para se aperfeiçoar e melhorar.

A fraqueza da pouca idade das crianças as tornam flexíveis e acessíveis aos conselhos dos pais. É quando se pode reformar seu caráter e reprimir-lhe inclinações; tal é o dever que Deus confiou aos pais. És filho de Deus e como tal deves honrá-Lo e amá-Lo".

 

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