Bauru e grande região

Tribuna do Leitor

Por que alguns países evoluem mais!?

por Cesar Augusto Teixeira de Carvalho - Prof. dr. aposentado do Dep. de Engenharia Civil - Faculdade de Engenharia da Unesp - Bauru

01/12/2019 - 06h00

Afinal, como as pessoas querem viver?

Alguém bem otimista diria que deseja uma sociedade igualitária, mas com todos ricos. Seria bom, mas creio que o mais próximo disto acontece em paraísos como Mônaco, onde existem muitos ricos, mas também muitos porteiros, motoristas, crupiês..., que não são ricos, mas ganham bem. Entretanto, essas pessoas privilegiadas normalmente enriquecem em outros países e vão lá se fixar por outras razões como, por exemplo, benefícios fiscais.

Voltando ao nosso mundo, acredito que o desejo mínimo predominante das pessoas seria o atendimento das nossas necessidades básicas como, por exemplo, alimentação e moradia. Além disso, para aqueles mais ambiciosos e dispostos a um esforço extra, ter liberdade para avançar um pouco mais, como por exemplo, viajar pra onde quiser ou adquirir uma casa melhor. Difícil ser contra isto, né!?

Assim, o óbvio não seria focarmos em modelos já consagrados que satisfaçam este pacote, como ocorre nos países como Suécia, Canadá, Japão..., que já mostraram uma receita vitoriosa e duradoura!? Estes países são capitalistas e também democráticos, onde o trabalho e o mérito é a base para a riqueza, e cada um tem seu próprio sistema republicano, definindo suas regras de convivência e os limites da liberdade. Neles, é natural que exista desigualdade social uma vez que se reconhece que as pessoas são diferentes em ambição, capacidade e esforço, onde o sistema oferece amplo leque de possibilidades, com espaço suficiente para se adquirir uma vida básica digna. De qualquer modo, os níveis de desigualdade social destes países estão entre os melhores, e é bom destacar que "igualdade social" por si só não é um bom indicativo, pois, na grande maioria das vezes em que isto acontece, o povo vive numa igualdade próximo da pobreza, como ocorre nos Países socialistas. Por outro lado, caberia a pergunta: o que estes Países tiveram que outros também democráticos e capitalistas (o Brasil, por exemplo) não tiveram!? Vivência? Conhecimento? Inteligência? Vontade?

Dizem que o "sábio" é aquele que aprende com as experiências dos outros! Mas, pra isso, é necessário "querer e poder", o que parece não acontecer com boa parte da população brasileira. Acredito que isto ocorreu devido a própria natureza da população, que prioriza atividades como: futebol, carnaval..., além do que poucos tiveram acesso a uma educação de qualidade. É evidente que este quadro vem de longe e tem reflexos no modo de pensar da população, nas suas escolhas eleitorais, com repercussões na qualidade das decisões governamentais e legislativas, dificultando nossa evolução. Nada contra querermos ser o País do "futebol e do carnaval", mas seria bom pra todos lutarmos para ser também o País do "emprego e da justiça". Assim, creio que a resposta para a evolução estaria na história do povo e nas prioridades que ele estabelece, sugerindo que aqueles que mais avançaram passaram por crises de toda ordem, alguns até guerras civis, o que forneceu vivência e sofrimento suficientes, para saberem aproveitar o que funciona e o que não funciona na sociedade. E isso ajudou a formar numa significativa parcela da população, consciência para assumir com determinação o "protagonismo político", no sentido de procurar viabilizar um sistema de regras de convivência mais eficaz. Neste pacote, é também necessário procurar compatibilizá-las com uma melhor seleção das pessoas para gerenciar e controlar o funcionamento de todo sistema, onde, se inclui todas as funções envolvidas das instituições do Estado. Lógico, não adianta nada termos regras (leis) maravilhosas, se quem vai aplicá-las ou fiscalizá-las não está à altura. É um trabalho difícil, mas alguns países conseguiram!

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