Bauru e grande região

Tribuna do Leitor

Tirem as mãos... O Brasil é nosso chão!

por João Álvares

12/01/2020 - 06h00

Tirem as mãos... O Brasil é nosso! Este é o nosso lema... Há vários séculos mãos visíveis e invisíveis vêm se aproximando das riquezas deste país. O esquema se repete desde a colônia, passando pelo império até a república. O Pau-brasil, o açúcar, o algodão, o cacau, o café e principalmente o ouro e a borracha - todas as riquezas tiveram o mesmo destino: os mercados internacionais. A economia brasileira nasceu e se consolidou atrelada, desde o início, ao sistema capitalista: primeiro mercantil, depois industrial e agora financeiro. A lógica do tripé latifúndio, trabalho escravo e monocultura de exportação sobrevive até nossos dias.

O resultado não poderia ser outro; um povo empobrecido sobre uma terra tão rica, mas tão rica em recursos naturais, em potencial energético e em força humana. Usando a expressão de Eduardo Galeano, parecemos mendigos sentados em montanhas de ouro. Atualmente avolumam-se os gastos com a dívida externa e, em consequência, crescem as dívidas sociais e diminui a qualidade de vida da população.

A pergunta de fundo é: como reorientar os rumos da economia com vistas a uma independência real do país, em que as riquezas estejam a serviço de um projeto popular, democrático, justo e solidário? Daí decorrem outros eixos como a questão do desemprego, as pessoas idosas, o que conduz à discussão da Reforma da Previdência, entre tantos outros. O que queremos: uma nação livre e soberana, fundada na justiça, na solidariedade, na igualdade de direitos; uma população livre para escolher sua forma de vida, sai religião, livre para escolher os rumos de seu país. Queremos paz. Nações livres e soberanas, que não dependam de economias externas; nações de homens e mulheres lutando por justiça, para acabar com toda forma da exclusão. Uma Terra Mãe liberta de todos os males da poluição e dos venenos que acabam com os rios, com as matas.

Uma nação e um povo feliz, com garantia de emprego, saúde, segurança; uma nação valorizada e sem preconceitos. Que toda a população tenha acesso às riquezas naturais ou produzidas e à cultura. O que não queremos.

Uma política voltada para globalização dos mercados e do lucro. A guerra provocada pelo egoísmo dos governos. A exploração indiscriminada dos recursos naturais, a contaminação de nossos rios, a depredação de nossa fauna e flora. A exploração da mão-de-obra, o desemprego, a violência, a discriminação e o principal, o violento estarrecimento da vergonhosa corrupção deste país, com tanta riqueza e com um povo alegre e trabalhador, não podemos ficar indiferentes e aceitar a fome e a miséria como vontade de Deus...

Chico Mendes nos deixa este mensagem: "Não quero flores no meu enterro, pois sei que vão arrancá-las da floresta".

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