Bauru e grande região

 
Tribuna do Leitor

As ideologias nos separam, sonhos e as aflições nos unem

por Antonio Carlos Da Silva Barros, membro da Comunidade Negra de Bauru

13/09/2020 - 05h00

O teatrólogo e escritor romeno do século XX, Eugene Ionesco, traduz de maneira compreensível a pessoa de Roque Ferreira, diante de diversas situações da vida. Em muitos momentos nos encontramos, nesses mais de vinte anos, em polos opostos, ideologicamente; no entanto, o sonho de Martin Luther King nos unia fortemente. Um mundo mais igualitário, independentemente da cor da pele e até das diversas ideologias que possam existir. Um mundo onde, "negros e não negros", como dizia Roque, estariam vivendo em uma sociedade mais justa, mais equitativa, com qualidade de vida para todos; ou seja, dentro de uma utopia de um mundo onde caibam todos e todas. O desejo de ultrapassar as ideologias e de saber unir as pessoas e seus sentimentos é tarefa para poucos. Às vezes, dizíamos que precisávamos frear um pouco mais as nossas ações, a fim de possibilitar o protagonismo às novas gerações, dando-lhes oportunidades para mostrarem mais os seus rostos, bem como seus anseios e desejos em prol do bem comum. No entanto, a história, aliada à sua construção, novamente nos chamava à presença e à luta pela igualdade. Roque, nos recordava sempre que nascemos em uma sociedade sem proteção e, por já ocuparmos, com mérito, o nosso lugar nessa sociedade injusta, tínhamos o dever de convencer mais pessoas a entrar nessa na luta e, com isso, a sonhar, juntos, com uma construção de um mundo melhor para todos. Querido amigo, sua "viagem", em tempos de pandemia, nos compromete a continuar a sua luta que agora é nossa também; a gritarmos que "vidas negras importam" sim! Roque, a sua vida, a sua história, as suas ações contra uma sociedade injusta, comprovam que a "sua vida e a sua história importam" também. Nesse momento, fica aqui, o meu agradecimento por ter-me permitido fazer parte de sua história. Ainda, lembro-me da sua fala constante, que ecoa como um refrão musical, em meu coração - você dizia que todos têm direito a ideologias, desde que não prejudiquem à sociedade; e essas tais ideologias devem superar construções, extremamente egoístas e humanas. Roque, meu amigo, a construção de uma sociedade mais justa, igualitária e equitativa, que deixe de existir no plano dos sonhos e passe à concretização de ações, exige a presença de um herói. E, você, Roque Ferreira, foi esta pessoa especial e única - você soube construir o protagonismo, com extremo primor, em sua história de vida! Axé, companheiro.

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