Bauru e grande região

 
Tribuna do Leitor

Seria bom se pudesse ser assim!

por Cesar Augusto Teixeira de Carvalho - Prof. Dr. aposentado do Dep. de Engenharia Civil - Faculdade de Engenharia da Unesp - Bauru

22/11/2020 - 05h00

Aproveitei ideias de dois bons textos (autores desconhecidos), postados recentemente no Facebook, e os tomei como base para desenvolver o que se segue. Um deles diz respeito ao que ocorre em países capitalistas e democráticos, onde os jovens têm sentimentos positivos em relação ao socialismo, aceitando bem este sistema que busca a igualdade social. Nos EUA, os jovens que apoiam o Partido Democrata se autorotulam como socialistas e no Brasil este posicionamento explícito não é tão grande, mas há uma parcela que acaba defendendo algumas ideias semelhantes, fazendo o jogo político da esquerda. De qualquer forma, esta geração é bastante otimista quanto a isto, e uma provável explicação consiste no fato de que eles sentem que todos os shoppings, supermercados e lojas estão plenamente abastecidos, e passam a acreditar que é algo que naturalmente sempre foi assim e jamais irá mudar. Acredito que a grande maioria destes jovens nunca tiveram contato real e prolongado com o socialismo, e, é também provável que conheçam pouco de história, economia e como funciona o sistema produtivo (alimentação principalmente), e nunca foram expostos a dura realidade de seus antepassados.

Creio que não sabem que essa atual abundância é relativamente recente, e que foi possibilitada lentamente por um trabalho árduo que não caiu do céu, mas foi feito por pessoas que precisavam de estímulos pelos seus esforços e investimentos. E tudo isto é gerado pelo sistema capitalista aplicado numa democracia, onde todos podem empreender e criar múltiplas atividades que fornecem trabalho e abundância de produtos à sociedade. Lógico que as recompensas são grandes quando dá certo, mas é bom saber que nem sempre isto acontece, com a maioria ficando muitas vezes no prejuízo. Apesar disso, estes jovens parecem achar que o ideal é ter o governo gerenciando tudo acreditando que, sob o socialismo, toda esta abundância seria mantida e distribuída facilmente, onde haveria smartphones, roupas de grife, comida farta e serviços de saúde disponíveis a todos. Assim, inconscientemente, a aceitação do socialismo prevê que a distribuição da riqueza seja feita por igual e que o total desta não diminua, pois, como já disse a jornalista brasileira Cynara Menezes, também conhecida por Socialista Morena: "No socialismo, todos terão seu iPhone!". Seria bom se pudesse ser assim, mas, infelizmente, não é.

No outro texto, um professor de economia numa universidade americana, foi questionado por seus alunos que o socialismo poderia funcionar, se o governo tivesse poder para distribuir a riqueza de modo igualitário, acabando com as diferenças sociais entre ricos e pobres. O professor então disse: "Tudo bem, vamos fazer um experimento socialista nesta classe. Segundo vocês, como acham que é mais justo adotar uma distribuição igual da riqueza, de modo similar seria como se adotássemos para nota de cada um, a média da classe". Assim foi feito, e na primeira prova, após calculada a média, todos ficaram com nota "7". Entretanto, quem tinha estudado com dedicação e merecia um "10 ou 9" ficou aborrecido, e os alunos que não se esforçaram merecendo "5 ou 4", ficaram contentes com o resultado. Quando a segunda prova foi aplicada, os preguiçosos tinham estudados menos ainda, pois esperavam tirar notas boas de qualquer forma. Já aqueles que tinham estudado bastante resolveram também se aproveitar do trem da alegria das notas, e não se empenharam tanto. Como resultado, a média da segunda prova foi "6". Acendeu a luz vermelha, mas o processo de acomodação continuou, e depois da terceira prova a média geral foi um "5". As notas não voltaram a patamares mais altos, e as desavenças entre os alunos, a busca por culpados e os palavrões passaram a fazer parte da atmosfera das aulas daquela classe. Antes, a busca por justiça tinha sido a principal causa das reclamações, mas depois, inimizades e críticas pelas injustiças do que ocorria, passaram a fazer parte daquela turma. No final das contas, ninguém queria mais estudar para beneficiar o resto da sala. Portanto, na última prova a média ficou "3", e todos os alunos foram reprovados na disciplina. O professor explicou: "Quando a recompensa é grande, o esforço pelo sucesso individual é também grande, mas quando se elimina as recompensas para beneficiar outros que não batalharam por elas, então, ninguém mais vai tentar fazer seu melhor. Assim, um País que muda do capitalismo para o socialismo, o esforço individual das pessoas diminuem muito e, consequentemente, a riqueza total gerada também reduz bastante, e o que fica para distribuir é a pobreza. Vejam o caso de Cuba e agora a Venezuela, onde se nota uma apatia quase total da sociedade."

Um bom resumo disso seria afirmar que a riqueza de um País é construída pelos que trabalham, com o governo apenas administrando os impostos gerados, que é tanto maior quanto maior for a quantidade e a qualidade deste trabalho, com a população se beneficiando, via de regra, de modo proporcional ao esforço e qualidade de cada um. E estes trabalhos vem de atividades geradas em sua maior parte pelo capitalismo, sendo tanto maior, quanto mais democrático for o sistema, pois um maior número de pessoas poderia empreender e gerar atividades. Assim, para cada um que receba uma parte sem ter que trabalhar, há sempre uma pessoa trabalhando sem receber aquela parte, ou seja: o governo não consegue dar nada a ninguém sem que tenha tomado de outra pessoa. E, quando uma parcela da população entende que não precisa trabalhar, pois a outra parcela irá sustentá-la, e, quando esta outra entende que não vale mais a pena trabalhar para sustentar a primeira, chegamos ao começo do fim de uma nação.

É o mais puro retrato que o Brasil estava começando a vivenciar, e que agora tenta se recuperar.

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