Bauru e grande região

Tribuna do Leitor

Gigantes pela própria natureza

por Daniel Pestana Mota

12/01/2021 - 05h00

Nunca como antes perdemos tantos gigantes. Os mais sensíveis, os mais fecundos, os que transcendem e nos surpreendem se foram como vento. Num piscar de olhos, num cessar de sopro. Sem prévio aviso e sem regozijo. E, passada a ventania, o que se prometia calmaria ainda nos agonia: perde a arte, que em toda parte edifica, vivifica e decifra mistérios.

E arte perdida é miséria de vida, beco sem saída. Sim, nunca antes, sem quaisquer levantes, nos tornamos pedantes ao ponto em que hoje chegamos. Há algo, todavia, que sem qualquer ironia nos fará lembrar um dia: após a tempestade, bonança, de verdade, tal qual promessa vazia, "ah, que zombaria..." não vem da piedade.

Provável que nunca mais venha, senão quando se tenha a dimensão do que é mesmo preciso. E precisão envolve, revolve e nos devolve a quem somos e não percebemos: sim, somos todos gigantes. Outrora caídos e agora de pé, sustentados bem mais que na fé, calçados em mais de um tripé: teimosos, corajosos e, sim, podendo, querendo e fazendo, dispostos e a postos!

Prometamos e nos comprometamos a não mais permitir que um só gigante "se caia", "se cale" e não mais se levante. Só assim nos faremos à altura de sermos projeto que concebe, atenção que percebe e, enfim, estrutura.

 

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