Bauru e grande região

Tribuna do Leitor

A relativização do direito à educação em tempos de pandemia e a evasão escolar

por Rodrigo Cabello da Silva - Auxiliar jurídico

11/04/2021 - 05h00

Depois de um período de anonimato, aliás, mais longo que eu esperava, retorno a esse importante espaço democrático para, infelizmente, demonstrar minha insatisfação e revolta acerca de fatos deveras desagradáveis que ocorrem em nossa pátria maltratada Brasil. E sabido de todos que, dentre os diversos direitos e garantias constitucionais constantes da carta máxima está um dos, senão o mais importante depois da saúde, obviamente: a Educação, assim mesmo, propositalmente escrita em letras maiúsculas. Não é nenhuma novidade que desde sempre existiram problemas nesse setor, a falta de recursos financeiros, estruturais, humanos, a violência nas escolas e muitos outros que possivelmente não caberiam nessa missiva nem na coluna para a qual respeitosamente dirijo-me e aos seus leitores que sempre me honram com suas leituras analíticas, atentas e questionadoras.

Mas, vamos ao que interessa.

Há mais de um ano fora declarada pela OMS (Organização Mundial da Saúde), responsável pela gestão mundial de saúde, uma calamidade pública provocada por um vírus asiático nascido mais precisamente na cidade chinesa de Wuhan, e conforme se sabe, este originou-se num mercado público de peixes aonde os consumidores compraram fragmentos de um animal descendente dos morcegos denominados pangolins, provenientes do tráfico de animais praticados na Malásia, Cingapura e Vietnã, tendo tais agentes transmissores diversas espécies em sua cadeia e a identificação dessa espécie como a grande transmissora dessa peste pode ser a chave para chegar-se talvez ao rompimento ou identificação do genoma conforme pesquisa na edição eletrônica em português do jornal EL País: https://www.brasil.elpais.com/ciencia e conforme artigo escrito por Miguel Ángel Criado e datado de 27 de março de 2020 "vários exemplares apreendidos há três anos, a mais de 1.000 quilômetros de Wuhan, estavam infectados com vírus geneticamente muito semelhantes ao Sars-Cov2."

Porém, para que essa missiva não se transforme num artigo científico, apesar das informações supramencionadas e fichadas e retomando o foco principal que é abordar "A relativização da economia em tempos de pandemia", tal como supra intitulado, cujos objetivos maiores e principais é por óbvio opinar, embora subjetivamente, acerca da pandemia, mas também propor uma reflexão acerca do que esse invasor provocou, provoca e durante muito tempo ainda provocará em todos os setores da vida humana: a vida física em si mesma, já que muitos tem ido embora desse mundo sem poderem nem despedir-se, a profissional, já que muitos tiveram seus empregos e empresas (no caso dos empresários em geral que tinham seus negócios consolidados, independente do tamanho, dos cientistas, que viram suas rotinas transformadas da noite para o dia tendo que a todo instante estudarem diuturnamente algo que não se sabe ou sabe-se muito pouco sobre, os médicos que mudaram maciçamente suas rotinas procedimentais e clínicas) e muitos outros.

Mas, retomando novamente ao foco principal da missiva, é um absurdo e inadmissível que num primeiro momento tão importante que é o da alfabetização haja um abandono tão grande de crianças e jovens, mas principalmente as crianças que estão ingressando em suas vidas escolares rumo às primeiras letras e palavras e assim por diante, e depois os jovens que já tendo iniciadas suas caminhadas acadêmicas há algum tempo desistam de prosseguir na concretização dos seus sonhos em razão de questões operacionais e estas, por sua vez, provenientes de falta de condições econômicas, já que não contando com infraestrutura mínima de sobrevivência e consequentemente material acabam por largar os bancos escolares e muitos deles aventurando-se no mercado informal de trabalho e sujeitando-se às piores condições para realizá-lo, que sempre existiram e com a crise mundial de saúde, chamada de pandemia e que tal como o próprio termo tão desgastado e propalado nos meios de comunicação atingiu o mundo todo e até mesmo nas rodas de conversas, sejam elas presenciais ou virtuais foi, tem sido e ainda será o tema das mesmas rodas de conversas.

E, não querendo mais me alongar, tomara Deus que as autoridades releguem suas opiniões pessoais e políticas a segundo plano e unam-se em prol de um bem maior que é a preservação da vida humana e ajam a tempo para que todos os seus cidadãos possam ser preservados e recebam os cuidados necessários e por fim possam ser imunizados com a tal vacina que, ao que consta, já está disponível em doses e públicos determinados, porém, ainda em "passos de formiga e sem vontade", tal como diz o trecho da música "Assim caminha a humanidade", de Lulu Santos, e espera-se que todos possam retroceder em suas posturas egoístas, mesquinhas e politiqueiras e retomem o rumo certo e pensem mais nos seus comandados e não e tão somente na preservação dos seus mandatos, perdoem o trocadilho e que todos os estudantes, em todos os níveis de ensino, tenham as condições mínimas de acessarem aos conteúdos disponibilizados por seus mestres e que a classe social não signifique um obstáculo ou privilégio para que alguém possa ou não estudar e que a Educação seja mais que um mero princípio fundamental e constitucional mas sim que seja considerada pelos líderes mundiais como um Direito Humano.

Obrigado a todos, um forte abraço virtual (por enquanto) e grato pela atenção.

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