Bauru e grande região

Tribuna do Leitor

Geração de ferro

por Hilário Nunes da Silva

11/04/2021 - 05h00

"Tem uma geração que está morrendo! É a 'geração de ferro', para dar passagem à geração de 'cristal'.

Quem é a geração de ferro?

- Aqueles a quem chamávamos de 'Senhor' e 'Senhora', porque 'você' é para 'seus amiguinhos'. Está morrendo a geração que não estudou porque precisava trabalhar para ajudar os pais, depois para realizar o sonho da casa própria, sustentar a família... mas chorou de emoção e orgulho na formatura dos filhos.

Está morrendo a geração que antes das 22h colocava todo mundo na cama, ajeitava o cobertor e rezava junto, porque 'Ninguém deve dormir sem rezar, não somos bichos'.

Está morrendo a geração que nunca viu uma carreira de cocaína, nem precisou de comprimidos, ou energéticos para rir e dançar a noite inteira, mas não ousavam tomar leite com manga. E ninguém saía, ou entrava em casa sem 'a bênção', e isso fazia toda diferença. Está morrendo a geração que nunca sonhou com a Disneylândia, porque divertido mesmo era ficar na calçada com os vizinhos, contando causos enquanto ficavam 'de olho nas crianças'.

Está morrendo a geração que guardava o troco de moedas no cofrinho, mas não economizava nas festas de aniversário - um bolo, sanduiche, brigadeiro e suco. Sem DJ, só o som das crianças brincando e a risada dos parentes e amigos.

Está morrendo a geração de ferro que anotava as dívidas na caderneta e ansiava pelo dia do pagamento para quitar todas as dívidas, porque 'esse dinheiro não é meu'.

Está morrendo a geração que pagou para ver; bancou os seus sonhos e sonhou os sonhos dos filhos; sorvete era para dias especiais e comer arroz e feijão era a regra para crescer forte, porque 'saco vazio não para em pé'.

Está morrendo a geração de ferro que fez do trabalho o objetivo de vida, e passear na praça com os amigos era uma aventura deliciosa, que rendia incontáveis fofocas e segredos.

Está morrendo a geração que sempre deixou o último bolinho para os filhos, mas amargou a saudade e o medo, quando esses filhos não tiveram mais tempo para eles.

Está morrendo a geração que pagou todas as contas, mas não imaginou que envelhecer seria tão caro e que em alguns casos alguns dos filhos não estariam dispostos a dividir essa conta.

Está morrendo a geração de ferro que soube arrancar comida e esperança de pedra, para cuidar da família, mas esqueceu de cuidar de si mesmo.

Que praticamente não havia vacinas, brincávamos na lama, de pula corda, esconde esconde, pega pega. Enfim, fomos felizes!

Quem era a geração?

Nós...."

Autor desconhecido, a princípio.

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