Bauru e grande região

por Demerval Assis da Silva

02/05/2021 - 05h00

O nome do título deste texto deixei a cargo da gatinha 'Bebê', que adotamos para ajudar, quem sabe, a harmonizar um pouco mais o nosso ambiente familiar.

Modo este, nosso formato de família, que tem crescido muito hoje em dia, que, diferente de outros tempos, onde os animais domésticos eram apenas animais domésticos, sim, claro, também eram amados, porém, não considerados membros como hoje são da família. E eu mesmo que me posicionava como um crítico contumaz dos exageros das pessoas para com seus agora denominados pets (verdadeiros filhos, irmãos sobrinhos e netos) e eu, talvez, por não ter evoluído ao "tempo certo" (apenas agora me rendo com essa "menina mania arteira" que tem deixado todos nós aqui em casa feito "bobos") e da importância de se ter um ou mais aninais, já com outro status familiar e social.

"Estely (apelido carinhoso para Estelar Ortega, nome de batismo) desça já da mesa, mas que menina teimosa; Rafa, me socorre aqui com ela, essa menina está impossível!". E assim tem sido a gatinha meiga e doce, que de repente se torna um furacão casa afora, mas que amoleceu, sem dúvidas, um pouco mais os nossos corações.

Talvez esteja eu com atraso reconhecido em me declarar ser agora uma dessas pessoas que eu dizia serem "ridículas". Ou seja, as mesmas que eu via conversando, brincando e passeando, cuidando, amando de paixão os seus pets. E que eles, sendo gatos ou cachorros os mais comuns, ou qualquer outra espécie de animal, desde que não seja gente propriamente ditas, pois com essas as relações podem ser muito mais complicadas, de qualquer prisma que mirarmos.

"Quanto mais convivo com as pessoas, mais gosto dos animais" ou algo parecido, diz o ditado. Ditado esse onde deveria me incluir sem dó e sem medo, porque deveria reconhecer que também não seria eu, páreo para qualquer animalzinho que seja, sim isso mesmo.

Mas ouso ainda conjugar o "mea culpa" sem bater o martelo da condenação. Justamente porque desconfio que se não sou dos melhores, não seria também dos piores humanos com os quais convivo. Quando chego no trabalho, quando leio o jornal, quando vejo TV, quando ando na rua, quando me meto nas redes sociais, sinto certo conforto em me colocar na berlinda. Sim, claro, talvez você que me conhece mais de perto esteja torcendo o nariz, com boas razões, se eu pensar que ainda não.

Mas o fato é que nossa raça do pedigree humanos parece que engrenou a marcha ré "a lá 4x 4", o que tem feito nós, homens, querer nos distanciarmos cada vez mais uns dos outros (crescente raiva, crescente ódio, crescente depressões, crescente consumo de coisas matérias crescente carências) ao ponto chegado de precisarmos de ser socorridos dentro de nossas casas pelos animais, certamente os elos para quem sabe nós, humanos, possamos engatar uma primeira, uma seseunda...

"Estely, vem cá vem, o vô já acabou aqui...".

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