Bauru e grande região

Tribuna do Leitor

Capitalismo & socialismo: quem erra menos?

por Cesar Augusto Teixeira de Carvalho - Prof. dr. aposentado do Departamento de Engenharia Civil - Faculdade de Engenharia da Unesp - Bauru SP

02/05/2021 - 05h00

No Brasil atual, vivemos um "capitalismo" aplicado numa democracia, que pode ser caracterizado pela liberdade que as pessoas têm para empreender (indústrias, padarias, lojas, shows...), visando lucros e benefícios à sociedade, sendo que a dinâmica criada pelas múltiplas atividades gera muitos empregos e produtos. Caso fosse o "socialismo" - considerado um sistema preparatório ao "comunismo", o objetivo seria a busca do aperfeiçoamento constante da sociedade visando a "igualdade social". Pra uns a ideia é utópica, pois fere a natureza humana; pra outros, até cômoda, uma vez que tudo ficaria por conta do Estado. Como no socialismo a igualdade social deve ser imposta, muitas pessoas se opõem, principalmente aquelas que valorizam a liberdade, e querem "elas" decidir suas vidas.

Tendo o socialismo suas metas já definidas, isto requer governo controlador, ficando o sistema incompatível com a democracia. Para ilustrar, se o Brasil passar para o socialismo, o que mudaria? Ora, no Brasil socialista não haveria mais a "livre iniciativa" para investir, acabando os respectivos empreendimentos privados, reduzindo a maior parte dos empregos e produtos. Com isso, a população perderia muito, pois cerca de 90% dos empregos atuais são privados e 10% públicos.

Não haveria mais ricos e classe média, e o povo teria nível social "abaixo" da classe média, com parte dos pobres também perdendo. Mas, ao incluir sua enorme estrutura de controle, a estratificação social no socialismo também ocorreria: a cúpula do governo; os militares; burocratas; segurança interna; ..., passariam a formar classes com privilégios próprios bem acima do nível social do povo. Pra comparar, enquanto existem pelo menos 40 Países capitalistas e democráticos bem desenvolvidos e equilibrados (Japão, Suécia, Holanda, Áustria, Nova Zelândia, ...), temos apenas 5 Países socialistas (Cuba, Coreia do Norte, Vietnã, Moldávia e Laos), todos ditaduras e pobres. Bem diferente, a China, de estrutura socialista, inovou com seu "Capitalismo de Estado" mas tendo o governo no controle dos empreendimentos e lucros. Nesta original "miscelânea chinesa", a parte do povo que participa do capitalismo é mais rica (em geral, sob a tutela de filiados ao Partido Comunista Chinês), enquanto a que participa do socialismo é mais pobre (em geral, na agricultura).

Comparando as "estruturas" dos 2 sistemas, é possível avaliar outro aspecto das vantagens e desvantagens de cada um. No capitalismo aplicado na democracia, com Legislativo independente eleito pelo povo, é até natural este incluir na Constituição a separação entre os poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) acompanhado de instituições independentes (Mídia, MP, ...), buscando um equilíbrio e evitando um poder predominante ou absoluto. Se, com todo este aparato democrático o capitalismo ainda tem problemas gerados pelas imperfeições humanas, como ficaria o socialismo sem eles? Ora, sua cúpula teria "poder concentrado e absoluto", ficando a vontade para fazer o que quisesse, pois não haveria "nada" para se contrapor. O que tornaria o sistema mais ágil, mas também mais fácil de errar. Este "muito poder" socialista gera erros que superam os já conhecidos por nós como, por exemplo: no "socialismo & capitalismo chinês", os empregados são obrigados a trabalhar 12 horas/dia, com 2 dias de folga/mês e, nas horas extras não ganham nada a mais. Além disso, o "muito poder" piora com fatos como: o socialismo causou "100 milhões de mortes por fuzilamento, fome ou frio", e prejudica outros países, como ocorreu o ano passado com o "corona vírus", uma vez que no socialismo "não há mídia livre e isenta". Outro exemplo recente (1991), aconteceu após a extinção da URSS, pelo fato de que os "novos ricos" do setor eram justamente os antigos dirigentes das fábricas soviéticas, mostrando que eles já eram "poderosos e espertos" antes da extinção.

Assim, que tal pensarmos melhor no sistema "capitalista e democrático", que procura conciliar: liberdade, transparência, equilíbrio e geração de riqueza, podendo ser aperfeiçoado periodicamente pelo legislativo, e se tem revelado mais estável ao longo do tempo!? Enquanto o capitalismo numa democracia, pode melhorar a vida das pessoas, o ideal igualitário socialista nunca chegou perto de ocorrer num nível social satisfatório, servindo apenas como um bonito discurso ilusório. Creio até que algumas pessoas defendem o socialismo com as melhores das intenções, mas, no Brasil, há um descompasso enorme entre o que se prega e o que se pratica. Basta ver que nosso maior problema sempre foi o "desvio do dinheiro público", que prejudica diretamente os pobres (na saúde, educação, moradia, ...), "corrupção" esta promovida em grande parte pela própria esquerda, que nos discursos sempre jurou defender os "pobres".

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